Queer Lisboa e MOTELX enfrentam desafios financeiros por demora nos repasses da Câmara Municipal
Os tradicionais festivais de cinema em Lisboa, incluindo o aclamado Queer Lisboa e o MOTELX, têm enfrentado dificuldades devido a atrasos nos pagamentos dos apoios financeiros da Câmara Municipal de Lisboa (CML). Esta situação tem gerado preocupação entre os organizadores, que destacam o impacto negativo na realização e na liquidez desses eventos culturais tão importantes para a cidade.
Queer Lisboa e MOTELX: dificuldades em plena realização
Na recente edição do Queer Lisboa, o diretor João Ferreira revelou que o festival iniciou-se sem contrato assinado com a CML, e sem o repasse das verbas acordadas. Este atraso não é uma exceção e reflete-se também no MOTELX, cujo apoio municipal só foi aprovado às vésperas do evento, e no Doclisboa, que em 2024 chegou a começar sem receber o dinheiro da Câmara, gerando desafios financeiros significativos.
João Ferreira explicou que, apesar de já ter ocorrido atraso no ano anterior, a situação atual foi mais grave, pois o contrato chegou no dia da abertura do festival e os pagamentos não têm datas fixas. Ele aponta que muitas entidades culturais enfrentam o mesmo problema, o que demonstra uma falta de compreensão da CML sobre a necessidade do dinheiro para a produção e realização dos eventos.
Impactos e esforços para solucionar a situação
Os diretores do MOTELX elogiam o empenho dos serviços culturais da cidade, como a EGEAC, na tentativa de resolver os atrasos, mas lamentam a demora na resposta da presidência da Câmara. Enquanto isso, o festival precisou lidar com a dificuldade de financiamentos privados que costumam ser pagos após a realização, agravando a crise de liquidez.
Por sua vez, o Doclisboa, que acontecerá em outubro, já assinou o contrato com a Câmara e teve o apoio aumentado em 15%, buscando evitar os problemas financeiros enfrentados no ano anterior. No entanto, o timing do pagamento ainda é incerto, o que mantém a apreensão dos organizadores.
Resposta oficial da Câmara Municipal de Lisboa
Em comunicado, a CML declarou que aprovou os apoios em reunião realizada em 10 de setembro para várias entidades culturais, incluindo o Queer Lisboa, MOTELX e Doclisboa. Os contratos e transferências estão em curso e serão concluídos no menor prazo possível, reconhecendo a importância destes festivais para a vida cultural lisboeta.
O que isso significa para a cena cultural LGBTQIA+?
O Queer Lisboa é um dos maiores e mais representativos festivais LGBTQIA+ do país, promovendo visibilidade, diversidade e debates essenciais para a comunidade. Os atrasos na liberação dos apoios financeiros pela Câmara impactam diretamente a capacidade de planejamento e execução do evento, que é vital para fortalecer a cultura queer em Lisboa e Portugal.
Garantir o suporte financeiro em tempo hábil é fundamental para que esses espaços de expressão artística, acolhimento e resistência continuem a florescer, celebrando a pluralidade e fomentando o diálogo social. A comunidade e os amantes da cultura esperam que esse cenário melhore, para que o Queer Lisboa e outros festivais possam seguir firmes em sua missão transformadora.