Casos de violência doméstica crescem em 2024, revelando a urgência de proteção e apoio às vítimas, principalmente mulheres e pessoas com deficiência
Em 2024, a violência doméstica atingiu números alarmantes na Alemanha, com mais de 256 mil pessoas oficialmente registradas como vítimas – um recorde que evidencia a gravidade da situação. Este aumento, de quase 4% em relação ao ano anterior, revela que o problema vai muito além de ‘dramas familiares’ isolados, sendo uma expressão clara da violência patriarcal que ainda permeia muitas relações.
Mulheres são as principais vítimas da violência doméstica
A maior parte dos casos envolve violência praticada por parceiros ou ex-parceiros, afetando principalmente mulheres. Estima-se que quase 171 mil casos sejam de agressões nesse contexto, um aumento de quase 2% em relação a 2023. Nos últimos cinco anos, a violência doméstica cresceu quase 14%, um dado que não pode ser ignorado por nossa sociedade.
Além disso, mulheres com deficiência enfrentam um risco quase duas vezes maior de sofrer agressões físicas em comparação com mulheres sem deficiência, mas ainda assim, faltam estruturas e espaços adequados de acolhimento, como casas de apoio especializadas para elas.
Por que os números estão crescendo?
Especialistas indicam que o aumento da violência doméstica pode estar ligado ao agravamento das crises sociais e pessoais, que elevam a tensão e o estresse nas relações. Por outro lado, uma maior conscientização e disposição para denunciar também podem contribuir para o crescimento das estatísticas, mostrando que a violência está sendo menos invisibilizada.
Em resposta, o governo alemão aprovou um pacote de leis que obriga os estados a ampliar e fortalecer os serviços de proteção e aconselhamento às vítimas. Entre 2027 e 2036, serão investidos cerca de 2,6 bilhões de euros para garantir apoio efetivo, com direito a atendimento gratuito a partir de 2032.
Novas medidas para proteger vítimas, especialmente mulheres
Uma inovação planejada para 2026 é a introdução de tornozeleiras eletrônicas para agressores, inspirada no modelo espanhol. Diferente de sistemas que definem zonas de exclusão fixas, essa tecnologia monitora a distância entre agressor e vítima, emitindo alertas imediatos caso o agressor se aproxime, aumentando assim a segurança das vítimas.
O que o movimento feminista e a sociedade dizem
Ativistas e lideranças femininas reforçam que a violência doméstica não é um problema privado, mas uma manifestação do patriarcado. Exigem políticas públicas que priorizem a prevenção, o trabalho com agressores, rapidez nos processos judiciais e capacitação obrigatória para policiais e juízes. Também defendem reformas no direito de guarda e visita para proteger melhor as vítimas.
Este cenário reforça a necessidade urgente de acolhimento, proteção e empoderamento para as mulheres e pessoas vulnerabilizadas, com políticas públicas sensíveis às especificidades de cada grupo. A violência doméstica, que afeta profundamente a vida, saúde e liberdade das vítimas, precisa ser enfrentada com coragem e compromisso coletivo.
Para a comunidade LGBTQIA+, que muitas vezes enfrenta formas específicas e invisibilizadas de violência doméstica, este debate é fundamental para garantir espaços seguros e apoio real, reconhecendo a diversidade de experiências e necessidades.