Busca por bacalhau cresce às vésperas da Páscoa e reacende discussão sobre tradição, excesso à mesa e novas receitas; entenda.
O bacalhau voltou aos assuntos mais buscados do Brasil nesta semana, às vésperas da Páscoa de 2026, impulsionado pela combinação de tradição religiosa, cardápios de almoço e curiosidade sobre receitas. O tema ganhou fôlego depois que uma coluna da Folha de S.Paulo, publicada na quinta-feira (2), questionou o costume brasileiro de manter o peixe também no domingo pascal.
No texto, o colunista Marcos Nogueira argumenta que, pela tradição cristã, a Sexta-Feira Santa é o momento de penitência, quando muita gente evita carne vermelha e opta por peixe. Já o domingo de Páscoa, em vários países de maioria cristã, costuma marcar justamente o fim do jejum da Quaresma com refeições mais festivas, frequentemente à base de carne. No Brasil, porém, o bacalhau atravessa a sexta e chega com força ao almoço de domingo, o que ele define como uma “bagunça brasileira”.
Por que bacalhau está em alta agora?
A resposta é bem direta: calendário. Em abril, as buscas por bacalhau tradicionalmente disparam no Brasil por causa da Semana Santa e da Páscoa, quando supermercados, restaurantes e famílias passam a procurar desde preços até modos de preparo. Em 2026, esse interesse foi reforçado por matérias com receitas, como a de bacalhau com farofa de broa e a de fritada de bacalhau, além da repercussão da coluna opinativa da Folha.
O argumento central do texto é que o sentido simbólico da refeição teria se embaralhado por aqui. Segundo a coluna, se a proposta da Sexta-Feira da Paixão é a contenção, o que se vê muitas vezes no Brasil é exatamente o contrário: mesas fartas, muito vinho e pratos robustos com bacalhau, transformando a data de recolhimento em um evento gastronômico abundante. Quando chega o domingo, diz o autor, a mudança de clima —do luto para a celebração— já teria acontecido antes.
Essa leitura ajuda a explicar por que o assunto saiu do universo da culinária e entrou no campo do comportamento. Não se trata apenas de escolher um peixe; trata-se de como o Brasil adaptou uma tradição religiosa ao seu próprio jeito de celebrar.
O que a tradição cristã diz sobre o almoço de Páscoa?
De acordo com a coluna, no início do cristianismo as regras de jejum eram mais rígidas e foram sendo relaxadas ao longo do tempo. Hoje, para muita gente, a penitência da Quaresma se resume a evitar carne na Sexta-Feira Santa e substituí-la por peixe. Nesse contexto, o bacalhau se consolidou como o prato mais associado à data no Brasil.
A crítica feita no texto é que essa escolha perdeu parte do sentido de sacrifício, já que o bacalhau aparece em preparos elaborados e refeições generosas. Em outras palavras, a abstinência formal permanece, mas o espírito de moderação nem sempre acompanha. É esse contraste que chamou atenção dos leitores e fez o tema circular nas redes e nas buscas.
Ao mesmo tempo, vale dizer: tradição popular não precisa ser idêntica à tradição litúrgica para fazer sentido afetivo. Em muitas casas brasileiras, o bacalhau de Páscoa é menos um gesto de penitência e mais um ritual de família, memória e encontro. Isso ajuda a entender por que o prato segue tão forte, mesmo diante da crítica.
Receita que puxou a conversa inclui bolovo de bacalhau
Para além da provocação sobre costumes, a publicação também apresentou uma receita que chamou atenção: o bolovo de bacalhau do Bar do Momo, no Rio de Janeiro. A proposta é inusitada e mistura referências bem brasileiras com o repertório clássico da Semana Santa.
Segundo a receita reproduzida na matéria original, o preparo rende 15 unidades, tem dificuldade média e leva cerca de duas horas. A massa é feita com 1 kg de batata asterix, 500 g de bacalhau dessalgado, azeite, pimenta-do-reino branca, 6 gemas e salsa picada. Os ovos são cozidos por cerca de 5 minutos em água com vinagre, resfriados em gelo, descascados e então envolvidos com aproximadamente 80 g da massa de bacalhau antes de serem fritos em óleo abundante até dourar.
Como é feito o preparo da massa?
A batata e o bacalhau são cozidos juntos em água fervente por 20 minutos. Depois, o bacalhau é reservado, enquanto a batata segue no fogo por mais 20 minutos. Em seguida, a batata é escorrida, seca no fogo e amassada até virar purê. O bacalhau, sem pele e espinhas, também é amassado e misturado ao purê com azeite e pimenta.
Qual é o diferencial da receita?
Depois de gelada por uma hora, a massa recebe gemas e salsa. O toque mais curioso está na montagem: cada ovo cozido é completamente coberto com a mistura de bacalhau e batata, formando um bolovo com cara de petisco de bar e sabor de almoço pascal. É uma síntese bem brasileira dessa mistura entre tradição, invenção e exagero afetivo.
Na avaliação da redação do A Capa, o interesse por bacalhau mostra como comida também é identidade. Mesmo quando o debate nasce de uma tradição cristã, ele acaba falando de algo maior: pertencimento, memória e reinvenção cultural. Para muitos brasileiros —inclusive na comunidade LGBTQ+— os feriados são menos sobre seguir regras à risca e mais sobre criar espaços de afeto, convivência e celebração à própria maneira.
Perguntas Frequentes
Por que o bacalhau faz tanto sucesso na Páscoa?
Porque ele se consolidou no Brasil como prato típico da Semana Santa, especialmente na Sexta-Feira Santa e no almoço de Páscoa.
Segundo a tradição cristã, pode comer carne no domingo de Páscoa?
Sim. A coluna citada lembra que o domingo marca o fim do jejum da Quaresma, por isso em muitos países o almoço pascal inclui carne.
O que é o bolovo de bacalhau?
É um ovo cozido envolto em massa de bacalhau com batata e depois frito, numa versão inspirada no bolovo tradicional de bar.
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