Primeiro jogador de hóquei profissional assumidamente gay critica cultura homofóbica e dúvidas sobre impacto da série Heated Rivalry
Brock McGillis, reconhecido como o primeiro jogador profissional de hóquei masculino a se assumir publicamente gay, não poupou críticas à cultura homofóbica profundamente enraizada na NHL. Para ele, o principal obstáculo para que jogadores LGBTQIA+ possam viver sua verdade dentro do esporte é justamente o ambiente tóxico que ainda domina os vestiários e arquibancadas.
Um olhar crítico sobre a série Heated Rivalry
Para Brock, a homofobia tóxica na NHL é um problema real e estrutural, que não será resolvido simplesmente com representações fictícias. “Eu adoro a série, mas não acho que muitos hockey bros vão assistir ou falar dela positivamente”, afirmou.
Experiência pessoal e o desafio de se assumir
McGillis compartilha que, ao assistir ao primeiro episódio da série, teve uma crise de pânico, por lembrar das dificuldades que enfrentou para manter sua identidade escondida durante anos. Ele usava apelidos e escondia relacionamentos para se proteger, vivendo uma realidade muito mais complexa do que a retratada na ficção. Mesmo após se assumir em 2016, depois de encerrar sua carreira semi-profissional, ele não percebeu um efeito em cadeia que incentivasse outros jogadores a fazerem o mesmo.
Essa ausência de impacto real em jogadores ativos o deixa cético quanto ao potencial da série para inspirar atletas a se assumirem. Para ele, a barreira maior está na cultura do esporte, onde a ideia de que “todos vão te odiar” e que a carreira será prejudicada ainda é predominante.
Heated Rivalry: uma série para abrir diálogo, mas não para mudar a cultura
Embora Heated Rivalry tenha conquistado público, especialmente entre mulheres e homens gays, a série é uma ficção romântica ambientada no mundo do hóquei e não uma análise profunda da cultura homofóbica da NHL. A trama gira em torno do amor secreto entre Shane Hollander e Ilya Rozanov, estrelas de times rivais, que precisam esconder seu relacionamento diante da pressão de uma imagem pública rígida e masculina.
McGillis acredita que, apesar de não transformar a cultura do esporte, a série pode ajudar pessoas próximas aos jogadores, como familiares e amigos, a compreender melhor as dificuldades enfrentadas por atletas LGBTQIA+.
Um chamado para a mudança real
A crítica de Brock McGillis serve como um alerta para que a comunidade e o mundo do hóquei entendam que visibilidade na mídia é importante, mas não suficiente para combater a homofobia tóxica na NHL. A transformação exige um esforço coletivo para mudar mentalidades, derrubar preconceitos e construir ambientes seguros para todas as identidades.
Dentro da comunidade LGBTQIA+, o depoimento de McGillis ecoa como um convite para não se contentar com representações superficiais, mas para lutar por respeito e inclusão genuína em todos os espaços. O esporte, que é palco de tantas emoções e conquistas, precisa urgentemente abrir seus portões para a diversidade com coragem e empatia.
Enquanto a cultura tradicional do hóquei resiste, a voz de Brock McGillis ilumina as feridas e aponta caminhos para um futuro onde ser quem se é não será mais um ato de coragem, mas a norma celebrada nas arenas e fora delas.
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