Com nova lei de ‘proteção às crianças’, governo de Orbán veta evento e aumenta repressão à comunidade LGBTQ+
O cenário político da Hungria se agrava para a comunidade LGBTQ+ com a recente proibição do tradicional parada do orgulho em Budapesta, capital do país. A polícia local anunciou o veto do evento que estava marcado para o dia 28 de junho, justificando a medida com base em uma nova legislação que visa a “proteção das crianças”.
Essa decisão marca a primeira vez desde 1997, ano em que o evento teve início, que a marcha do orgulho é oficialmente proibida na cidade. A lei recentemente aprovada dá às autoridades o poder de impedir manifestações que possam ser consideradas prejudiciais ao bem-estar infantil, estratégia que tem sido usada para restringir eventos LGBTQ+.
Resistência e repressão
Em resposta à proibição, o prefeito liberal de Budapesta, Gergej Karaçoñ, tentou contornar a situação declarando que o evento ocorreria como uma celebração municipal, o que, segundo ele, não exigiria autorização especial. No entanto, a polícia metropolitana rejeitou esse argumento, reafirmando que a nova legislação se aplica a todos os tipos de eventos e mantendo o veto.
Karaçoñ criticou duramente a decisão, classificando-a como juridicamente infundada, já que as autoridades governamentais não foram oficialmente notificadas sobre a realização do evento sob a forma de celebração municipal. Ele declarou: “A prefeitura de Budapesta organizará a Festa da Liberdade do Orgulho em 28 de junho – o Dia da Liberdade Húngara. Ponto final.”
Contexto político e social
Espera-se que o evento reúna dezenas de milhares de participantes, em um momento delicado para o governo de Viktor Orbán, que se prepara para as eleições de 2026, enfrentando uma oposição cada vez mais forte. A administração de Orbán tem adotado uma postura conservadora, com políticas de cunho cristão tradicional, e intensificou sua campanha contra a comunidade LGBTQ+, buscando consolidar seu apoio nas áreas rurais.
Desde fevereiro, Orbán já havia declarado que os organizadores da parada em Budapesta não deveriam nem tentar realizar o evento neste ano, reforçando o clima de hostilidade.
Impactos para a comunidade LGBTQ+
Essa proibição não apenas representa um retrocesso para os direitos da população LGBTQ+ na Hungria, mas também simboliza a crescente perseguição e marginalização que enfrentam em um país que antes vinha ampliando sua visibilidade e inclusão. A nova lei serve como instrumento para silenciar vozes e restringir espaços de expressão, colocando em risco a liberdade e a segurança da comunidade.
Para o público LGBTQIA+, essa situação reforça a importância da solidariedade internacional e da luta constante por direitos iguais e respeito à diversidade, mesmo diante de governos que tentam impor narrativas de exclusão e medo.
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