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Burkina Faso aprova lei anti-LGBTQIA+ e comunidade teme perseguição

Nova legislação criminaliza relações homoafetivas, aumentando o medo e o isolamento da comunidade LGBTQIA+
Burkina Faso aprova lei anti-LGBTQIA+ e comunidade teme perseguição

Nova legislação criminaliza relações homoafetivas, aumentando o medo e o isolamento da comunidade LGBTQIA+

Na recente decisão do governo militar de Burkina Faso, a aprovação de uma lei que criminaliza as relações entre pessoas do mesmo sexo lançou uma sombra pesada sobre a comunidade LGBTQIA+ local. Já vulnerabilizada pela discriminação, essa parcela da população agora enfrenta o risco crescente de uma verdadeira caçada, forçando muitos a viverem ainda mais escondidos e com medo constante.

Quentin, um jovem que preferiu manter sua identidade protegida, expressa o temor que tomou conta da comunidade: “Com essa lei, não haverá mais descanso. As pessoas vão se sentir autorizadas a nos perseguir, como se fosse uma missão caçar quem é gay.” Esse sentimento de perseguição é compartilhado por outros membros LGBTQIA+ do país, que já sofrem preconceito social e pressão familiar para se conformar a padrões heteronormativos.

Um retrocesso que reforça o medo e o isolamento

Antes da intervenção militar em 2022, as relações homoafetivas não eram explicitamente proibidas em Burkina Faso. Agora, com a nova legislação — ainda não em vigor —, indivíduos LGBTQIA+ podem ser multados ou até presos por até cinco anos. A norma é parte de um código familiar que, segundo os líderes da junta, reflete os valores tradicionais do país, rejeitando influências ocidentais, inclusive os direitos LGBTQIA+.

Essa criminalização vem acompanhada de um aumento nas denúncias e exposições nas redes sociais, onde pessoas são identificadas publicamente, recebendo ameaças e violência. Alex, ativista de uma associação LGBTQIA+, observa a queda no número de participantes após a aprovação da lei. “As pessoas têm medo de serem denunciadas às autoridades”, relata.

Violência e estratégias de resistência

Além do medo de prisão, a comunidade enfrenta o risco de agressões físicas e até homicídios motivados por homofobia. Phoenix, outro membro ativo da comunidade, alerta que a violência extrema está cada vez mais presente, tornando a vida LGBTQIA+ em Burkina Faso ainda mais perigosa.

Para continuar oferecendo suporte, organizações locais adaptaram suas ações, promovendo encontros mistos para desviar suspeitas e levando assistência médica e psicológica diretamente às casas dos membros, evitando deslocamentos arriscados. Essa adaptação é vital para garantir acesso a cuidados essenciais, como prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Fuga e silêncio: os dilemas da comunidade LGBTQIA+

Com o endurecimento das leis e o ambiente hostil, muitos pensam em deixar o país em busca de segurança, mas a decisão é difícil e dolorosa. Alex questiona: “Se todos partirmos, quem vai continuar lutando por aqueles que ficam?”

Já Quentin decidiu que seguirá sua vida em sigilo absoluto, evitando qualquer exposição que possa colocar sua vida em risco. “Não pretendo arriscar minha segurança ao mostrar minha sexualidade publicamente”, afirma.

Essa realidade em Burkina Faso reflete uma preocupante tendência em alguns países africanos, onde governos autoritários têm usado leis anti-LGBTQIA+ para reforçar discursos conservadores, ampliando o sofrimento de uma comunidade que busca apenas viver com dignidade e respeito.

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