Movimento Mujeres Marcharon denuncia índices alarmantes e exige reconhecimento do feminicídio como violência de gênero
Em um ato comovente e poderoso, mulheres e pessoas trans se reuniram em San Antonio, Texas, no Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, para marchar e protestar contra o feminicídio, transfeminicídio e homicídios motivados por homofobia. A mobilização, organizada pelo coletivo Mujeres Marcharon, trouxe à tona um dado assustador: a taxa de feminicídio em San Antonio é de 4,7 por 100 mil mulheres, igualando-se à de Honduras, o país com o maior índice do mundo.
Denúncia e visibilidade para uma violência silenciada
O evento, que contou com músicas, gritos de ordem, dança e momentos de luto, foi inspirado por uma manifestação semelhante realizada na Cidade do México, que homenageia vítimas de feminicídio, sobretudo mulheres trans e trabalhadoras do sexo, grupos especialmente vulneráveis a esses crimes.
Segundo o relatório divulgado pelo Mujeres Marcharon, a falta de reconhecimento e classificação adequada das mortes de mulheres e meninas como feminicídio por parte das autoridades impede um acompanhamento real do problema. Nos Estados Unidos, a ausência de um sistema eficaz de vigilância e documentação dificulta estimar com precisão a incidência anual desses crimes, agravando a invisibilidade e a impunidade.
Exigências à prefeitura e ao condado
Na última semana, ativistas e apoiadores levaram suas reivindicações ao Conselho Municipal de San Antonio, pedindo que a cidade e o Condado de Bexar reconheçam oficialmente esses homicídios como feminicídios e crimes de violência de gênero. Entre as demandas, está a investigação rigorosa dos casos e o registro correto das mortes para garantir políticas públicas efetivas.
O conjunto de dados utilizado para as estatísticas locais abrange crimes ocorridos entre 1º de janeiro e 25 de novembro de 2025 e está disponível para consulta pública. Ainda que a metodologia comparativa com outras nações não tenha sido revisada de forma independente, o impacto da campanha já ressoa na comunidade.
Por que essa luta importa para a comunidade LGBTQIA+
Essa campanha é especialmente relevante para a população LGBTQIA+ porque denuncia a violência direcionada a mulheres trans, um grupo frequentemente marginalizado e alvo de transfeminicídio. A visibilidade e o reconhecimento desses crimes são passos fundamentais para que a justiça seja alcançada e para que políticas de proteção e acolhimento sejam implementadas.
O feminicídio é um reflexo brutal das interseccionalidades de gênero, raça e identidade sexual que atravessam a vida das pessoas LGBTQIA+. Ao apoiar movimentos como o Mujeres Marcharon, fortalecemos uma rede de resistência que reivindica segurança, dignidade e respeito para todes.
Essa mobilização em San Antonio é um chamado urgente para que as estruturas públicas e a sociedade civil encarem de frente a violência de gênero em todas as suas formas, incluindo o feminicídio, que não pode mais ser ignorado ou subestimado. A luta por justiça é também uma luta por vida, por amor e por igualdade para a comunidade LGBTQIA+ e para as mulheres em geral.
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