Graham Platner enfrenta polêmica após revelação de comentários ofensivos e tatuagem semelhante a símbolo nazista
Graham Platner, veterano do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos e candidato democrata ao Senado pelo estado do Maine, está no centro de uma controvérsia que tem abalado sua campanha. Recentemente, foram revelados posts antigos no Reddit, onde ele usava termos homofóbicos e outras expressões ofensivas, além de ter sido exposta uma tatuagem em seu peito que se assemelhava a um símbolo nazista.
Posts antigos que ferem a comunidade LGBTQIA+
Nos posts reaparecidos, Platner utilizava a palavra “gay” de forma pejorativa, além do insulto homofóbico “f*g” e outros termos capacitistas. Em um deles, ele culpava vítimas de agressão sexual, sugerindo que deveriam “assumir a responsabilidade e não se embriagar tanto a ponto de acabar tendo relações sexuais indesejadas”. Tais comentários chocaram a comunidade, especialmente porque Platner está concorrendo a um cargo público com a missão de representar e proteger todos os cidadãos, inclusive pessoas LGBTQIA+.
Além disso, ele se autodenominava “comunista”, criticava a polícia e generalizava os americanos rurais como “racistas” e “estúpidos”. Alguns de seus posts mais agressivos foram feitos em um momento difícil de sua vida, quando ele lidava com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e depressão após servir em duas guerras.
O peso do passado e o pedido de desculpas
Em vídeo publicado em suas redes sociais, Platner afirmou estar profundamente arrependido pelas palavras usadas e ressaltou que elas não refletem quem é hoje. Ele explicou que, após deixar o exército em 2012, enfrentou um período de desilusão e isolamento, o que o levou a postar comentários imaturos e ofensivos na internet. “Eu não quero que as pessoas me vejam pelo que fui no pior momento da minha vida online”, disse ele.
Em entrevista, Platner também esclareceu que os posts eram fruto de uma fase em que ele “só estava brincando na internet” e reforçou que não é comunista nem socialista como sugerido, mas sim proprietário de um pequeno negócio e veterano do Corpo de Fuzileiros.
Tatuagem polêmica e repercussão
Além das publicações, a campanha de Platner sofreu um novo baque quando uma tatuagem em seu peito, que se assemelhava ao Totenkopf — um símbolo usado pela SS nazista — foi exposta em um vídeo em que ele dança de cueca em um casamento. O símbolo, conhecido como “cabeça da morte”, é considerado um emblema de ódio por grupos neonazistas e supremacistas brancos.
Platner explicou que fez a tatuagem na casa dos 20 anos, durante uma noite de bebedeira enquanto estava de licença em um estúdio de tatuagem na Croácia. Ele afirmou que escolheu a imagem por parecer uma típica arte militar, sem saber do significado nazista. Em nota, ele lamentou profundamente e disse já ter coberto o desenho com uma nova arte, afirmando que jamais teria mantido algo ofensivo tão próximo do seu coração.
Impactos na campanha e críticas internas
O episódio gerou repercussão imediata, levando a diretora política da campanha, Genevieve McDonald, a renunciar. Ela criticou Platner por sua “falta de conhecimento” e por não ter cuidado em remover a tatuagem antes, argumentando que é impossível ignorar o significado desse símbolo por tanto tempo, ainda mais para alguém que se orgulha de seu conhecimento em história militar.
A controvérsia coloca em xeque a candidatura de Platner, que tenta desbancar a republicana Susan Collins, ocupante da cadeira desde 1997. O caso evidencia os desafios para políticos em se posicionar autenticamente e a importância da responsabilidade sobre o passado, especialmente no contexto de uma comunidade LGBTQIA+ que busca respeito e representatividade genuína.
Essa história reforça o quanto é vital que candidatos e figuras públicas estejam alinhados com os valores da diversidade, inclusão e empatia, pilares fundamentais para garantir direitos iguais e combater o preconceito em todas as suas formas.