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Casamento trans no horário nobre da novela marca avanço e desafios LGBTQIA+

Cena histórica na Globo mostra união trans e lésbica, mas revela as contradições da visibilidade digital
Casamento trans no horário nobre da novela marca avanço e desafios LGBTQIA+

Cena histórica na Globo mostra união trans e lésbica, mas revela as contradições da visibilidade digital

Em um momento histórico para a teledramaturgia brasileira, a novela das 21h da Globo exibiu uma cerimônia coletiva LGBTQIA+ assistida por 18,9 milhões de pessoas. Viviane, uma mulher transexual, e Leonardo celebraram seu casamento, enquanto Lorena e Juquinha, um casal lésbico, também uniram suas vidas no mesmo altar. Essa foi a primeira vez que um casamento trans ganhou destaque no horário nobre, rompendo com tabus e preconceitos, mesmo diante da resistência de um vilão que personifica o ódio contra a comunidade LGBTQIA+, inspirado por figuras extremistas da política.

Visibilidade histórica com sabor agridoce

Exibida às vésperas do 17 de maio, dia que simboliza a luta contra a LGBTIfobia e marca a retirada da homossexualidade da lista de doenças da OMS em 1990, a cena traz à tona um paradoxo da era digital. Embora a comunidade LGBTQIA+ represente um público valioso para o consumo e engajamento nas plataformas, essas mesmas tecnologias reproduzem discriminações por meio de algoritmos que limitam conteúdos e punem criadores de diversidade. Essa violência algorítmica, como explicam as pesquisadoras Bruna Irineu e Larissa Pelúcio, cria um ambiente onde a visibilidade, essencial para a luta política, se mistura com processos de controle e exclusão.

O fascismo digital e a luta pela representatividade

Em plataformas populares, expressões de afeto LGBTQIA+ e ativismo político são censurados sob pretextos de “sensibilidades culturais”. Modelos de inteligência artificial, como o LLaMA4 da Meta, chegam a recomendar conteúdos de “terapia de conversão” para pessoas buscando informações sobre homossexualidade, demonstrando como dados enviesados perpetuam patologizações e preconceitos. Enquanto isso, as grandes fortunas do setor tecnológico, reunidas em eventos com figuras como Donald Trump e Mark Zuckerberg, consolidam um regime sociotécnico marcado por autoritarismo e conservadorismo, um fenômeno que vem sendo chamado de fascismo digital.

Entre avanços e desafios, a luta continua

O casamento de Viviane e Leonardo, assim como o de Lorena e Juquinha, é fruto da pressão social e do cálculo de audiência, não de uma mudança ética espontânea das emissoras. Sistemas treinados com dados discriminatórios ainda reproduzem, de forma automatizada, os preconceitos que a comunidade LGBTQIA+ combate há décadas. A visibilidade, portanto, não é um fim em si, mas parte de uma luta que precisa questionar e transformar as infraestruturas digitais que regulam o que podemos mostrar e como somos vistos.

O 17 de maio não é apenas um marco simbólico, mas um chamado para o enfrentamento das estruturas e algoritmos que moldam nossas vidas. Nos espaços de exclusão criados pelas grandes plataformas, movimentos de hackerativismo cuir, transfeminista e antirracista emergem como respostas potentes, reafirmando que a luta pela diversidade transcende as telas e exige engajamento político e social constante.

Este momento de visibilidade na novela das 21h é um passo importante, mas também um lembrete de que conquistas na mídia tradicional convivem com desafios profundos na esfera digital. A comunidade LGBTQIA+ segue resistindo, criando e reivindicando espaços de amor e reconhecimento, mesmo quando o sistema tenta silenciar sua voz.

É fundamental enxergar que a visibilidade, tão celebrada, pode ser uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo em que amplia o reconhecimento, ela também expõe a comunidade a novas formas de vigilância e controle. Por isso, a luta por direitos e representatividade precisa estar atenta às tecnologias que governam nossas narrativas e ao poder que elas têm de moldar identidades e experiências.

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