Infecção bacteriana cresce entre homens gays e bissexuais, com resistência a antibióticos preocupando autoridades
O Reino Unido está enfrentando um crescimento preocupante nos casos de Shigella transmitida sexualmente, especialmente entre homens gays e bissexuais (HSH). Dados recentes indicam que as infecções por Shigella adquiridas durante o contato sexual vêm aumentando ano após ano, com mais de 2.500 casos reportados em 2025, superando os números dos anos anteriores.
O que é Shigella e como ela se manifesta?
Shigella é uma bactéria que provoca a shigelose, uma infecção intestinal caracterizada por diarreia — que pode conter sangue, pus ou muco — além de cólicas abdominais, febre, náuseas e vômitos. Embora a doença geralmente se resolva sozinha, pode ser grave em crianças pequenas, idosos e pessoas com sistema imunológico debilitado.
A transmissão ocorre principalmente via fecal-oral, mas, no contexto atual, a propagação sexual — especialmente por meio do sexo oral e do sexo oral-anal — tem sido um vetor significativo entre homens gays e bissexuais. A bactéria pode permanecer no organismo e ser eliminada nas fezes por até quatro semanas após o desaparecimento dos sintomas, mantendo o potencial de contágio.
Resistência a antibióticos é o maior desafio
Um aspecto alarmante desse surto é a alta resistência aos antibióticos encontrados nas amostras de Shigella. Cerca de 86% das amostras de Shigella sonnei e 94% de Shigella flexneri apresentaram resistência, incluindo resistência extensa aos três principais antibióticos usados para tratamento. Isso limita as opções terapêuticas para os casos mais graves, tornando a prevenção ainda mais essencial.
Distribuição geográfica e perfil dos casos
Mais da metade dos casos foram registrados em Londres (54%), seguida pelas regiões de Thames Valley e Surrey e Sussex, cada uma com 6%. O aumento expressivo nas regiões urbanas reforça a necessidade de atenção redobrada para as práticas de prevenção e conscientização nos espaços de convivência e encontros.
Prevenção e cuidados para a comunidade LGBTQIA+
Especialistas recomendam que homens gays e bissexuais mantenham cuidados rigorosos de higiene durante e após as relações sexuais, incluindo o uso de preservativos, para reduzir o risco de contágio. Além disso, é fundamental que não ignorem sintomas como diarreia persistente e dores abdominais, buscando atendimento médico para diagnóstico e tratamento adequados.
Como muitos casos de Shigella podem estar associados à exposição a outras infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV, a realização de exames completos em clínicas de saúde sexual ou por meio de testes online é altamente recomendada.
Dr. Katy Sinka, chefe da seção de IST do UKHSA, reforça que “a ascensão dos casos é preocupante, mas pode ser controlada com práticas sexuais seguras e higiene adequada, protegendo a si mesmo e aos parceiros”.
Reflexão sobre o impacto na comunidade
O aumento dos casos de Shigella sexualmente transmissível evidencia a importância de fortalecer o diálogo aberto e sem preconceitos sobre saúde sexual na comunidade LGBTQIA+. A vulnerabilidade diante de infecções resistentes a medicamentos traz um alerta para políticas públicas que integrem prevenção, acesso a tratamento e educação continuada.
Mais do que uma questão médica, essa situação reflete desafios sociais e emocionais que envolvem o autocuidado, o respeito ao corpo e a responsabilidade coletiva. Ao enfrentar juntos esses obstáculos, a comunidade pode construir espaços mais seguros e acolhedores, onde saúde e prazer caminham lado a lado.
Que tal um namorado ou um encontro quente?


