Programa impulsiona visibilidade e profissionalização da arte drag na cidade, celebrando diversidade e ativismo LGBTQIA+
Desde o lançamento da quarta temporada de Drag Race France, em 10 de julho, a cena drag em Bordeaux, França, vive um momento vibrante e em plena expansão. Inspiradas pelo sucesso do programa, que reúne drag queens em uma competição artística e empoderadora, centenas de pessoas têm se conectado para assistir juntas aos episódios em locais como os Chantiers de la Garonne, onde cerca de 350 espectadores celebraram o primeiro episódio da nova temporada.
Este fenômeno ultrapassa o entretenimento: “Drag Race” abriu portas para quem deseja explorar o universo drag, incluindo aqueles que antes não ousavam participar de shows e eventos. A diversidade do público cresce a cada encontro, reunindo jovens, famílias e entusiastas do movimento queer, tornando a arte drag uma expressão cultural mainstream em Bordeaux.
Uma cena drag em renovação e fortalecimento
Em Bordeaux, estima-se que existam ao menos cem artistas drag atuantes, apoiados por coletivos conhecidos como “casas”, que surgiram com a chegada do programa americano RuPaul’s Drag Race na Netflix em 2018. Estes grupos fomentam a criatividade local, multiplicando as estrelas da cena, como a drag queen Elips, que retorna à competição na televisão francesa.
Além do crescimento artístico, observa-se uma profissionalização notável. O centro LGBTQIA+ Girofard tem incentivado a organização dos artistas, criando uma espécie de sindicato que estabelece uma carta de direitos e tarifas mínimas, possibilitando que alguns drags vivam exclusivamente de suas performances.
Drag como ativismo e expressão de identidade
Embora o programa tenha popularizado a estética glamourosa do drag, muitos artistas locais ressaltam que a prática vai além do entretenimento, sendo uma ferramenta importante de militância e afirmação identitária. Drags como Chloryss, uma jovem trans e integrante da casa La Belle Rouge, veem no drag um meio para inspirar outras pessoas trans a se expressarem e se empoderarem.
Além das tradicionais drag queens, a cena inclui drag kings e drags criatures, que desafiam os padrões de gênero e beleza. Jimmy Bigoudi, drag king que nasceu em Bordeaux, destaca a importância da visibilidade para essa modalidade ainda pouco reconhecida, enquanto coletivos como Techno Circus adotam uma estética queer e monstruosa para subverter normas sociais e celebrar a diversidade.
Resistência e reinvenção
A pluralidade da cena drag bordalesa demonstra que o movimento não é homogêneo. Médée, drag queen que se dedica ao burlesco, revela que o drag também pode questionar as pressões sociais impostas às mulheres, usando a performance para desconstruir estereótipos. Já outras drags exploram linguagens experimentais, criando personagens e realidades que fogem dos moldes convencionais.
Com esse panorama, Bordeaux se confirma como uma cidade pulsante para o drag, onde arte, ativismo e identidade se entrelaçam para celebrar a diversidade LGBTQIA+. A influência de Drag Race France foi decisiva para esse movimento, mas a força que vem das ruas, dos palcos e dos corações da comunidade é o que mantém essa cena viva e em constante reinvenção.
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