Versão russa da série remove cenas LGBTQIA+, distorcendo narrativa e excluindo personagens queer
Na Rússia, o icônico seriado Stranger Things sofreu uma censura pesada que modificou profundamente a trama e apagou a representatividade LGBTQIA+ presente na história. A versão exibida para o público russo, inclusive em serviços piratas de streaming, teve diálogos e cenas essenciais editados para esconder personagens e relações queer, numa tentativa clara do governo de silenciar qualquer conteúdo que desafie a chamada “moral tradicional”.
Alterações que invisibilizam a comunidade LGBTQIA+
Um dos momentos mais impactantes da série, quando o personagem Will Byers faz seu coming out, foi descaradamente modificado. Na versão original, Will declara: “Eu não gosto de meninas”, um passo importante para reafirmar sua identidade e a aceitação de si mesmo. No entanto, na versão russa, essa fala foi substituída por “Eu não quero me apaixonar”, apagando completamente o sentido de sua revelação e negando sua orientação sexual.
Além disso, cenas que mostravam o relacionamento entre Robin Buckley e Vickie Dunn, duas personagens femininas que se amam, também foram cortadas ou editadas para evitar a exposição de uma relação lésbica. O beijo entre elas, um momento de afeto e representatividade, simplesmente desapareceu nas versões exibidas em cinemas e plataformas piratas da Rússia.
Repercussão e resistência do público
Apesar da censura, muitos espectadores russos notaram que algo estava errado e expressaram sua indignação nas redes sociais e nos comentários das plataformas de streaming. Eles criticaram a alteração da tradução e a remoção de cenas-chave, afirmando que isso não só deturpa a história como também nega visibilidade a uma comunidade já marginalizada.
Essa prática faz parte de uma política mais ampla do governo russo, que desde 2013 mantém leis que proíbem a divulgação de conteúdos considerados “propaganda de relações sexuais não tradicionais”, restringindo a liberdade de expressão e a diversidade cultural no país.
Impacto cultural da censura LGBTQIA+
A censura em Stranger Things não é um caso isolado, mas um reflexo do ambiente hostil enfrentado pela comunidade LGBTQIA+ na Rússia. Ao apagar narrativas queer da cultura pop, o governo contribui para a invisibilidade e o estigma, dificultando o acesso a representações positivas e a possibilidade de identificação para jovens e adultos LGBTQIA+.
Para a comunidade queer, a presença de personagens e histórias que refletem suas vivências é fundamental para a afirmação da identidade e para a construção de um espaço seguro na sociedade. A exclusão desses elementos não apenas empobrece a arte, mas também reforça o preconceito e a exclusão social.
Em tempos em que a representatividade é uma conquista fundamental, essa censura russa demonstra o quanto a luta por direitos e visibilidade ainda é necessária. Para além das telas, é urgente promover espaços onde o amor, a diversidade e a pluralidade de identidades possam ser celebrados e respeitados sem medo ou repressão.
Stranger Things, ao ter sua narrativa LGBTQIA+ censurada, revela o poder da cultura pop como campo de batalha pela liberdade e reconhecimento. Para a comunidade LGBTQIA+, cada cena apagada é também um chamado à resistência e à construção de um mundo onde todos possam ser quem são, com orgulho e sem medo.
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