Cantor texano apoia ‘Cowboy Carter’ e confronta o preconceito na cena country tradicional
Beyoncé, com seu álbum “Cowboy Carter”, tem enfrentado resistência dentro da cena country, mas ganhou um aliado de peso: o cantor texano Charley Crockett. Conhecido pelo seu estilo neo-tradicional, Crockett usou as redes sociais para defender a cantora e questionar o que realmente define a autenticidade na música country.
Um olhar crítico sobre o country tradicional
Para Crockett, a insatisfação de muitos fãs da música country não está na presença de Beyoncé no gênero, mas sim na longa predominância do chamado “bro country” — um estilo dominado por fórmulas comerciais e sons pop que, segundo ele, há anos apaga vozes marginalizadas e limita a diversidade artística do gênero.
Ele afirmou que artistas como Morgan Wallen, mesmo sendo considerados grandes nomes do country, muitas vezes sequer ouvem o que se entende como música country tradicional. “A máquina aponta para uma mulher negra que está fazendo uma declaração sobre pessoas marginalizadas sendo removidas da conversa, e mesmo assim agimos como se toda a indústria pop não tivesse acabado de invadir a música raiz”, comentou Crockett, destacando como muitos artistas country têm incorporado batidas de trap, questionando a real autenticidade defendida por alguns.
Beyoncé e a quebra de barreiras na música country
Desde o lançamento de “Cowboy Carter” em março de 2024, Beyoncé tem feito história ao ser a primeira mulher negra a alcançar o topo da parada Top Country Albums da Billboard, além de conquistar prêmios importantes, como o Grammy de Álbum do Ano e Melhor Álbum Country.
Apesar de seu sucesso comercial e reconhecimento crítico, a artista vem enfrentando críticas que alegam que seu trabalho não é “country o suficiente”. Durante uma apresentação ao vivo, o cantor Gavin Adcock chegou a afirmar que o álbum “não é country e nunca foi”.
No entanto, figuras como Lainey Wilson, uma das maiores estrelas atuais do country, têm elogiado o projeto, destacando a importância do storytelling e a capacidade da música de fazer as pessoas se sentirem em casa, independentemente do gênero.
Reivindicando raízes e espaço
Beyoncé explicou que “Cowboy Carter” não é apenas um álbum country, mas sim um álbum dela — uma expressão artística que celebra e resgata as raízes negras dentro do gênero, muitas vezes esquecidas ou apagadas. Sua experiência de não se sentir bem-vinda após sua apresentação de “Daddy Lessons” no Country Music Awards em 2016 foi um dos impulsos para criar este trabalho, que busca reivindicar um espaço para a diversidade na música country.
O apoio de Charley Crockett, somado às reações positivas no meio, reforça que o debate sobre autenticidade e pertencimento na música country está longe de ser simples. O que está claro é que a presença de Beyoncé está abrindo caminhos e desafiando velhos conceitos, trazendo à tona a riqueza e complexidade cultural que a música country pode e deve abraçar.
Assim, “Cowboy Carter” não é apenas um álbum, mas um símbolo poderoso de resistência, inclusão e inovação dentro de um gênero que está em constante transformação.
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