Blued e Finka, populares apps de paquera LGBTQIA+ na China, foram removidas e geram apreensão sobre direitos LGBTQIA+
Na última terça-feira, 11 de novembro, a China surpreendeu a comunidade LGBTQIA+ ao remover das plataformas da Apple e Android duas das aplicações de encontros gay mais populares do país: Blued e Finka. Milhões de usuários foram diretamente afetados pela decisão, que reacendeu o medo de um possível retrocesso nos direitos e na visibilidade LGBTQIA+ dentro do território chinês.
A Blued, fundada em 2012, é a maior rede social para homens gays na China, com mais de 40 milhões de usuários registrados no mundo. Em 2020, seu grupo proprietário adquiriu a Finka, outra plataforma voltada para encontros entre homens. Embora as apps tenham desaparecido das lojas oficiais, usuários que já as tinham instaladas continuam a usá-las, e é possível baixá-las diretamente pelos sites oficiais.
O contexto da repressão digital
Em comunicado, a Apple afirmou que a remoção seguiu uma ordem da Administração do Ciberespaço da China, e que a medida se aplica apenas ao território chinês. Diferente de outros países, a China mantém uma loja de apps própria, onde plataformas como Instagram, Facebook, Grindr e Tinder já são bloqueadas há anos.
Embora a homossexualidade seja legal na China, o espaço para a expressão LGBTQIA+ tem diminuído. Eventos como o Shangai Pride foram suspensos desde 2020, e produções culturais com personagens LGBTQIA+ sofrem censura, como no caso recente de um filme que teve que alterar digitalmente um casal gay para heterossexual.
Reação da comunidade e temores futuros
Para muitos, a retirada das apps Blued e Finka representa o encolhimento de um dos poucos espaços digitais seguros para a comunidade gay chinesa. Um ativista local comentou: “O espaço para minorias sexuais vinha encolhendo, mas ver os espaços online também sumirem é alarmante.”
Nas redes sociais chinesas, usuários expressaram tristeza e preocupação, lembrando que a Blued foi para muitos a primeira janela para perceber que não estavam sozinhos. A exclusão das plataformas simboliza um retrocesso em um cenário já marcado por limitações e censuras.
Embora ainda não esteja claro se a remoção das apps será definitiva, o episódio expõe a fragilidade dos direitos LGBTQIA+ em países onde a liberdade digital é controlada rigidamente.
Esse bloqueio das apps de encontros gay na China é mais do que uma simples medida tecnológica: é um reflexo das batalhas que a comunidade LGBTQIA+ enfrenta para existir e se conectar em espaços seguros. Em tempos em que a representatividade e o acolhimento são fundamentais para a saúde mental e o empoderamento, ver essas plataformas desaparecerem é um golpe duro para quem busca visibilidade e pertencimento.
Ao mesmo tempo, essa situação reforça a importância da solidariedade global e do apoio mútuo dentro da comunidade LGBTQIA+. Precisamos estar atentos e unidos para resistir às tentativas de silenciamento e invisibilidade, celebrando cada espaço conquistado e lutando por direitos que garantam dignidade e liberdade a todos, independentemente de onde estejam.
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