Artista pró-Trump é barrado em diversas cidades do Canadá por discurso anti-LGBTQIA+ e riscos à segurança pública
O cantor e pregador cristão nacionalista Sean Feucht, conhecido pelo apoio público ao ex-presidente Donald Trump e por discursos contra a comunidade LGBTQIA+, teve seus shows cancelados em oito cidades canadenses nas últimas semanas. As prefeituras que revogaram os permisos para suas apresentações alegam preocupações com a segurança pública e violações de códigos de conduta, gerando um intenso debate sobre liberdade de expressão e discurso de ódio.
Feucht ganhou notoriedade por liderar protestos contra a inclusão LGBTQIA+ em escolas, criticando conteúdos que tratam de identidade de gênero para crianças e questionando, por exemplo, a educação sobre questões trans. Além disso, em entrevistas, ele defende um país governado exclusivamente pelos princípios da “lei moral bíblica”, o que reforça seu posicionamento conservador e controverso.
Reações das cidades e comunidades LGBTQIA+
Entre as cidades que cancelaram as apresentações de Feucht estão Halifax (Nova Escócia), Charlottetown (Ilha do Príncipe Eduardo), Moncton (New Brunswick), Quebec City (Quebec), Vaughan (Ontário), Abbotsford (Colúmbia Britânica) e Winnipeg (Manitoba). Em Winnipeg, especificamente, o governo municipal citou “desafios operacionais” para negar o permitido, enquanto em Montreal uma igreja foi multada em 2.500 dólares por permitir uma apresentação sem permissão oficial.
Para grupos LGBTQIA+, como a Kelowna Pride (Colúmbia Britânica), a presença de Feucht representa uma ameaça direta. Em entrevista, a vice-presidente da organização afirmou que o cantor dissemina discurso de ódio e que há uma linha tênue entre liberdade de expressão e incitação ao preconceito. Essa tensão é um reflexo da luta contínua para garantir espaços seguros para a população LGBTQIA+ em locais públicos.
Liberdade de expressão em cheque
Enquanto algumas cidades bloqueiam as apresentações, outras ainda avaliam os pedidos de Feucht, como Kelowna e Edmonton (Alberta), e Saskatoon (Saskatchewan), que aprovou sua apresentação para 21 de agosto, afirmando não ter identificado riscos imediatos à segurança pública, mas monitorando a situação de perto.
O debate sobre a liberdade de expressão no Canadá é complexo. James Turk, diretor do Centro para Liberdade de Expressão da Universidade Metropolitana de Toronto, destaca que a Carta Canadense de Direitos e Liberdades protege esse direito, mas também alerta que tentar censurar figuras como Feucht pode acabar dando a eles uma plataforma ainda maior.
Impacto e perspectivas
Após a rejeição da lei “Não diga gay” na Flórida pela Disney, Feucht também liderou protestos contra a empresa na Califórnia, fortalecendo seu perfil como figura da extrema-direita cristã norte-americana. Seu discurso contra a comunidade LGBTQIA+ e o apoio a ideias ultraconservadoras fazem com que sua presença em espaços públicos do Canadá provoque reações intensas e polarizadas.
Para o público LGBTQIA+ e aliados, o episódio é um chamado à vigilância e à mobilização para proteger direitos conquistados e garantir o respeito à diversidade. A trajetória de Sean Feucht no Canadá mostra a complexidade de conciliar liberdade de expressão com a luta contra discursos que ameaçam a segurança e dignidade de grupos marginalizados.
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