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classroom — reação às telas ganha força

classroom — reação às telas ganha força

Livro que questiona o excesso de tecnologia nas salas de aula virou munição para pais e escolas nos EUA; entenda por que o tema sobe.

O termo classroom entrou em alta neste sábado, 31 de maio de 2026, no Brasil após reportagens internacionais repercutirem uma reação crescente ao uso de telas nas escolas dos Estados Unidos. No centro do debate está o livro The Digital Delusion, do consultor educacional Jared Cooney Horvath, que passou a influenciar pais, gestores e parlamentares em discussões sobre laptops, tablets e limites de tempo de tela em sala de aula.

A obra, publicada de forma independente em dezembro de 2025, sustenta que a queda prolongada no desempenho de estudantes em testes padronizados ocorreu em paralelo à expansão da chamada ed tech — o pacote de tecnologias educacionais que inclui dispositivos individuais, softwares e plataformas digitais. A tese ganhou tração porque oferece argumentos simples, dados e referências que grupos de pais vêm usando para pressionar distritos escolares a retomar livros impressos, papel e lápis.

Por que classroom virou assunto agora?

Segundo a NBC News, o livro saiu de um nicho acadêmico e virou peça central de um movimento de base contra o excesso de telas nas escolas. Horvath depôs no Senado dos Estados Unidos em 15 de janeiro de 2026, vende mais de 5 mil exemplares por mês e teve um trecho de seu depoimento publicado pela C-SPAN que se aproximou de 3 milhões de visualizações no YouTube. A combinação de audiência, disputa política e ansiedade de famílias com o uso de tecnologia em aula ajudou a impulsionar o interesse pelo tema.

O autor argumenta que estudantes aprendem melhor no papel e em discussões presenciais do que diante de telas. Entre os dados citados por ele, está a informação de que alunos que usam computadores por pelo menos seis horas diárias teriam pontuação 66 pontos menor no PISA do que aqueles que não usam dispositivos. Horvath também afirma que o investimento em laptops nem sempre traz retorno pedagógico e chega a dizer que escolas poderiam obter mais resultados com melhorias estruturais, como ar-condicionado, do que com mais aparelhos.

Essas ideias encontraram terreno fértil depois de outra frente de debate: a proibição ou restrição de celulares em escolas. Na leitura do próprio autor, depois que pais perceberam que era possível pressionar por limites ao smartphone, o passo seguinte seria questionar também Chromebooks, tablets e plataformas digitais adotadas pelas redes de ensino.

O que defendem pais, escolas e críticos da tecnologia educacional?

A reportagem mostra que coalizões de pais em estados como Califórnia e Maryland passaram a convidar Horvath para webinars e encontros públicos. Em San Diego, uma dirigente do grupo Schools Beyond Screens disse que o livro deu credibilidade a preocupações que muitas famílias já sentiam, mas tinham dificuldade de traduzir em linguagem técnica. Em distritos escolares, exemplares da obra chegaram a ser distribuídos em reuniões de conselhos educacionais como forma de pressionar por mudanças.

Também há gestores escolares testando alternativas. Em Granville County, na Carolina do Norte, administradores afirmaram ter lido o livro ao lançar um experimento “livre de tecnologia” em que estudantes ficam dois dias por semana sem laptops. A ideia, para esses grupos, não é rejeitar toda inovação, mas reconstruir limites mais claros para o uso de telas.

Ao mesmo tempo, a reação ao livro tem sido intensa entre defensores da tecnologia educacional. Richard Culatta, da organização ISTE+ASCD, disse à NBC que líderes escolares o procuram em pânico para saber como responder às alegações de Horvath. Para ele, o autor comete um erro ao transformar correlação em causalidade, isto é, ao sugerir que a piora nos resultados escolares decorre diretamente do uso de tecnologia sem comprovar essa relação de forma definitiva.

Outros especialistas reforçam que o cenário é mais complexo. Peter Bergman, professor da Universidade do Texas em Austin, afirmou que grandes tendências nacionais raramente têm uma explicação única. Já dados da OCDE sobre o PISA de 2022 indicaram que o uso prolongado de computadores se associou a piores notas, mas também mostraram que alunos que usavam dispositivos para aprender entre uma e cinco horas por dia tiveram desempenho melhor do que os que não usavam nenhum. Ou seja: o debate não é simplesmente “tela boa” versus “tela ruim”, e sim como, quanto e para quê a tecnologia é usada.

O que esse debate diz ao Brasil — e à comunidade LGBTQ+?

Embora o caso em alta envolva os Estados Unidos, o assunto interessa diretamente ao Brasil, onde escolas públicas e privadas também ampliaram o uso de plataformas digitais após a pandemia. A discussão sobre classroom toca temas sensíveis por aqui: desigualdade de acesso, qualidade do ensino, saúde mental de adolescentes e o papel da escola como espaço de convivência.

Para a comunidade LGBTQ+, essa conversa merece um olhar mais cuidadoso. Ambientes digitais podem ser ferramentas importantes de inclusão, especialmente para jovens LGBT+ que encontram online apoio, informação e sensação de pertencimento quando a escola presencial ainda é hostil. Por outro lado, o excesso de mediação por telas não resolve problemas estruturais de bullying, evasão e acolhimento. Se a tecnologia substitui relações humanas em vez de ampliá-las, estudantes queer podem continuar invisibilizados — só que agora em uma interface bonita.

Na avaliação da redação do A Capa, o debate mais sério não deveria opor nostalgia analógica e fetiche tecnológico. O ponto central é garantir uma escola que ensine bem, proteja a saúde mental e acolha diferenças. No Brasil, onde jovens LGBTQ+ ainda enfrentam violência e exclusão no ambiente escolar, qualquer política sobre telas precisa vir acompanhada de formação docente, escuta estudantil e compromisso real com inclusão.

Por enquanto, o que fez classroom disparar nas buscas foi justamente essa mistura explosiva: um livro de grande repercussão, pais organizados, pressão política, medo sobre inteligência artificial e uma pergunta que atravessa fronteiras — afinal, a tecnologia está ajudando ou atrapalhando a aprendizagem?

Perguntas Frequentes

O que é o livro The Digital Delusion?

É um livro lançado em dezembro de 2025 por Jared Cooney Horvath que critica o uso excessivo de tecnologia nas escolas e defende métodos mais analógicos de ensino.

O livro prova que telas pioram o desempenho escolar?

Não de forma definitiva. A principal crítica de especialistas é que a obra usa correlações fortes, mas isso não basta para comprovar causa direta.

Esse debate pode chegar ao Brasil?

Sim. Como escolas brasileiras também ampliaram o uso de plataformas e dispositivos, a discussão sobre limites, qualidade pedagógica e saúde mental tende a ganhar espaço por aqui.


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