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O comandante gay executado por Hamas e o poder do medo na Gaza

A história de Mahmoud Ishtiwi revela repressão interna e homofobia no coração de Hamas
O comandante gay executado por Hamas e o poder do medo na Gaza

A história de Mahmoud Ishtiwi revela repressão interna e homofobia no coração de Hamas

Quase uma década após sua execução, o nome de Mahmoud Ishtiwi ainda ecoa silenciosamente em Gaza. Para os que desafiaram o domínio de ferro de Yahya Sinwar dentro do Hamas, sua morte em 2016 simbolizou o fim da negociação interna e o início de um regime marcado pelo medo absoluto. Ishtiwi, um comandante respeitado e membro de uma família influente no movimento, não foi apenas acusado; ele foi torturado por mais de um ano e executado, mesmo tendo sido inocentado de acusações de colaboração e corrupção.

Um líder da linha de frente e da tradição

Nascido em 1982, Mahmoud Ishtiwi ingressou nas Brigadas Izzedine al-Qassam aos 19 anos, seguindo irmãos que já faziam parte da resistência. Comandou cerca de mil combatentes durante a guerra de 2014, liderando operações e uma rede de túneis em Gaza. Sua família abrigava figuras-chave do Hamas, incluindo Mohammed Deif, o comandante supremo da ala militar. Ishtiwi personificava a lealdade ao movimento, com uma vida familiar tradicional e comprometida.

O regime de Sinwar e a caça aos dissidentes

Yahya Sinwar, antes mesmo de assumir o comando total em Gaza, era conhecido por impor uma disciplina rígida e moralista, combatendo o que considerava desvios, incluindo a homossexualidade. Sinwar, que passou anos preso por eliminar supostos colaboradores, retornou decidido a restaurar a ordem através do medo e da repressão. Foi nesse contexto que Ishtiwi foi chamado para uma revisão pós-guerra em janeiro de 2015 e desapareceu.

Tortura, acusações e silêncio

Inicialmente acusado de desviar fundos, Ishtiwi confessou ter usado parte do dinheiro, o que abriu caminho para acusações de relações sexuais com homens – um crime grave no Hamas. Mesmo após investigações que o inocentaram de colaboração e corrupção, ele permaneceu preso, submetido a torturas brutais: espancamentos de até 48 horas, suspensão pelas extremidades, chicotadas e privação de sono. Ele chegou a gravar notas e mensagens em seu corpo, como a palavra “zulum” (injustiça), num pedido silencioso por justiça.

Apelos ignorados e execução brutal

A família de Ishtiwi buscou ajuda junto a líderes civis do Hamas, incluindo Ismail Haniyeh, mas encontrou portas fechadas e até incentivo às torturas. Em julho de 2015, parentes protestaram publicamente, um ato raro e reprimido pela polícia local. Após meses de sofrimento, em fevereiro de 2016, Ishtiwi foi executado. Seu corpo apresentava ferimentos de bala e marcas claras de abuso, confirmando o horror vivido durante a prisão.

Um símbolo do medo e da intolerância

Hoje, a história de Mahmoud Ishtiwi serve como um alerta sobre o regime de terror interno que moldou o Hamas sob Sinwar, um líder que priorizou a centralização do poder e a eliminação de qualquer dissidência, especialmente aquelas ligadas à orientação sexual. A repressão sofrida por Ishtiwi reflete o silêncio forçado e o medo que permeiam comunidades LGBTQIA+ em contextos de autoritarismo e fundamentalismo.

Para a comunidade LGBTQIA+, essa história é um lembrete doloroso de que a luta por visibilidade e direitos é também uma batalha contra estruturas de poder que se sustentam na exclusão e no medo. A coragem de Ishtiwi, mesmo nas condições mais adversas, ilumina a urgência de resistirmos contra o silêncio e a violência institucionalizada.

Quando entendemos a profundidade dessa repressão, reconhecemos que o combate pela liberdade e dignidade LGBTQIA+ transcende fronteiras e conflitos. É uma luta que requer empatia, coragem e a certeza de que a diversidade é uma força capaz de transformar até os regimes mais opressivos.

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