Peça da VSQ Cia de Teatro mistura humor, desejo e conflitos familiares com estética provocadora
“Interpol, Não Me Prenda” é o nome da nova comédia que está conquistando o público de Pelotas com seu humor ousado e uma estética queer que desafia os padrões tradicionais do teatro. Produzida pela VSQ Cia de Teatro e escrita e dirigida por Kel Marum, a peça mergulha em temas profundos como o luto, a herança, o reencontro entre irmãs e a sexualidade, tudo isso temperado com muita irreverência e caos familiar.
Uma comédia que brinca com o absurdo e a desobediência
O título já antecipa a proposta da peça: um convite para rir do impossível e do exagero, como explica Kel Marum. A dramaturga conta que o nome surgiu de um equívoco engraçado, pois descobriu depois que a Interpol é uma agência de investigação e não de prisão, mas decidiu manter o título, incorporando essa imprecisão ao humor da montagem. Essa leveza diante do erro é um dos traços que permeiam a peça, que se recusa a seguir fórmulas tradicionais e abraça o improviso e o absurdo.
Ambientada no período pós-pandemia, entre o fim de 2021 e 2022, a narrativa reflete a ressaca coletiva deixada pelo isolamento social, mostrando como os vínculos familiares foram tensionados e remodelados. A morte de uma tia e a promessa de uma herança servem como ponto de partida para uma série de situações caóticas e engraçadas, que muitos espectadores poderão reconhecer em suas próprias experiências de distanciamento e reencontro.
Família, desejo e diferenças que se confrontam no palco
No centro da história estão duas irmãs muito distintas: Mariã, de 18 anos, que viveu sua adolescência imersa no TikTok e na internet, e Cláudia, a irmã mais velha, com um perfil mais místico e alternativo. O conflito entre elas é marcado pela sensação de que “minha irmã é o que eu não queria que ela fosse”, frase que Kel usa para sintetizar a tensão e a incomunicabilidade que atravessam muitas famílias.
Essa dinâmica não apenas gera risos, mas também provoca reflexões sobre as relações humanas e as dificuldades de reconhecimento entre pessoas tão próximas e, ao mesmo tempo, tão diferentes. A peça aposta em um protagonismo feminino forte, com três mulheres no elenco que dão voz a desejos, contradições e olhares raramente colocados em primeiro plano.
Estética queer, sensualidade e liberdade em cena
A proposta visual e performática da peça é outro diferencial marcante. A direção e a maquiagem, assinadas por Kel Marum e Geo Sobrinho, incorporam elementos da poética queer, trazendo um espetáculo que não tem medo do exagero, da vulgaridade assumida e da sensualidade cômica. “Essa peça me empoderou muito como mulher”, afirma Geo, destacando como o processo artístico também transforma subjetividades e oferece novas formas de expressão.
O figurino e a cenografia, concebidos em parceria com Caio Porciuncula, reforçam essa ruptura com o convencional, criando uma identidade visual que dialoga diretamente com o conteúdo provocador da narrativa. O cuidado com o conforto e o bem-estar do elenco demonstra que o espetáculo é também um espaço de afirmação política e estética para quem o produz.
Sucesso local e valorização do teatro independente
Realizada com apoio da PNAB Municipal, a montagem teve sua temporada de verão com sessões gratuitas que esgotaram ingressos rapidamente, revelando o desejo do público por produções autorais e inovadoras. A VSQ Cia de Teatro demonstra, assim, que é possível criar e circular arte de qualidade em Pelotas, valorizando políticas públicas que sustentam o teatro independente.
Nas próximas apresentações, nos dias 13 e 14 de março, a companhia continuará a levar essa comédia queer e envolvente para o público, agora com ingressos à venda. A classificação indicativa é de 16 anos, devido ao tratamento franco da sexualidade e dos temas abordados.
“Interpol, Não Me Prenda” é mais do que uma peça de humor: é um manifesto artístico que celebra a diversidade, a liberdade de expressão e o poder transformador do teatro. Ao trazer para o palco a complexidade das relações familiares com uma linguagem queer e provocadora, a VSQ reafirma sua identidade e seu compromisso com a cena cultural local.
Este espetáculo representa um sopro de frescor e autenticidade no cenário teatral, especialmente para a comunidade LGBTQIA+ que encontra na peça uma voz que dialoga com suas experiências de desejo, identidade e resistência. É inspirador ver como a arte pode ser um espaço de empoderamento, acolhimento e celebração da diferença, mostrando que o riso também pode ser uma forma poderosa de afirmação.
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