O filme “Queer”, dirigido por Luca Guadagnino, lançado em 26 de fevereiro de 2025, é uma adaptação do romance homônimo de William Burroughs, um dos grandes nomes da literatura queer. Desde jovem, Guadagnino sonhou em trazer esta obra para as telas, e mais de três décadas depois, ele finalmente concretiza esse desejo. A história gira em torno de William Lee, um alter ego de Burroughs, que vive em uma México boêmia e repleta de bares frequentados por homens gays, mas que se sente perdido e sem prazer na vida. A trama se intensifica quando ele se envolve de forma obsessiva com o jovem e atraente Eugene Allerton.
Visualmente, “Queer” é uma obra-prima, com uma estética que remete à artificialidade dos cenários, quase como um sonho, elevando a busca dos personagens por identidade e pertencimento. A cinematografia de Sayombhu Mukdeeprom e a trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross criam uma atmosfera única, embora algumas escolhas musicais, como as de Nirvana e Prince, pareçam deslocadas e não tão eficazes na construção do ambiente emocional.
Contudo, o filme falha em capturar a profundidade da paixão alucinada e dos conflitos internos que Burroughs expressou. A relação entre Lee e Allerton, que deveria ser intensamente dramática e complexa, acaba se limitando a olhares e diálogos superficiais, sem a carga emocional necessária para refletir a tragédia do amor doentio e da dependência.
A crítica tem se dividido sobre a performance de Daniel Craig como William Lee. Embora ele traga uma intensidade ao papel, muitos o veem mais como um contador de histórias do que como a figura visceral que Burroughs representou. A dinâmica entre Craig e Drew Starkey, que interpreta Allerton, é promissora, mas carece de uma exploração mais profunda dos desejos e da dor que permeiam suas vidas.
“Queer” é um filme que, apesar de suas falhas, oferece uma visão interessante sobre a luta por identidade dentro da comunidade LGBT, abordando temas como amor, dependência e a busca por significado em um mundo caótico. Para aqueles que apreciam a obra de Burroughs e o cinema de Guadagnino, vale a pena conferir essa interpretação única, mesmo que ela não alcance totalmente as alturas que poderia.
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