Terry Sweeney, o primeiro membro abertamente gay do elenco do icônico programa de televisão ‘Saturday Night Live’ da NBC, fez fortes declarações sobre o tratamento homofóbico que alega ter recebido durante sua passagem pela atração em 1985. Embora Sweeney tenha sido uma figura menos lembrada e tenha ficado no programa apenas uma temporada, sua presença foi histórica, pois ele foi o primeiro ator abertamente gay a aparecer na televisão de rede nos Estados Unidos.
Em uma entrevista ao Vulture, Sweeney expressou que, apesar de não atribuir a responsabilidade pelo seu tratamento a Lorne Michaels, o criador de SNL, ele ainda sentiu que a homofobia sutil permeava seu tempo no programa. Sweeney reconheceu que Michaels o contratou e o apoiou, mas notou que a pressão do network e a percepção de fracasso após sua temporada contribuíram para um ambiente hostil.
“Era necessário que as pessoas vissem um gay na televisão naquele momento, especialmente durante a crise da AIDS. Eu era um homem gay que não estava morrendo, mas sim vivendo, fazendo drag e sendo engraçado. Recebi cartas de pessoas agradecendo por isso, pois nunca tinham visto alguém abertamente gay como eu”, disse Sweeney.
No entanto, ele também revelou que enfrentou o que chamou de ‘homofobia de colarinho branco’. “Ninguém me ofendia abertamente, mas não havia espaço para mim. Eu tinha apenas algumas poucas ideias para esquetes enquanto outros colegas, como Randy Quaid, chegavam com pilhas de roteiros”, explicou Sweeney. Ele ainda comentou sobre a resistência de alguns escritores em trabalhar com ele, o que o deixou isolado e desvalorizado.
Um dos episódios mais marcantes de sua experiência foi uma sugestão inapropriada de Chevy Chase durante uma gravação. Chase, ao perceber que Sweeney era o ‘gay’ do grupo, sugeriu um esboço em que Sweeney teria AIDS e seria pesado ao longo do programa, o que causou desconforto entre os presentes. “Naquela época, eu estava perdendo amigos para a AIDS, então isso foi particularmente doloroso”, recordou Sweeney.
Sweeney lamentou a perda de 13 amigos para a doença durante sua temporada no programa e disse que enquanto lidava com essas perdas, ainda era esperado que fosse engraçado sem o suporte necessário de sua equipe. “Foi uma época muito emocional, com muita morte ao nosso redor e ninguém falava sobre isso. Eu estava em um universo paralelo, lidando com a dor e a tristeza enquanto tentava fazer comédia”, desabafou.
Apesar das dificuldades, Sweeney acredita que sua decisão de ser aberto sobre sua sexualidade foi mais significativa do que sua breve carreira no programa. “Anos depois, quem vai se lembrar dos esquetes em que você apareceu? Mas eles lembrarão que eu disse ‘sou gay’ em um tempo em que isso não era aceito”, concluiu.
Após sua saída de SNL, Sweeney enfrentou uma década de dificuldades para encontrar trabalho, mas finalmente conseguiu um papel em ‘Seinfeld’, um dos programas de maior sucesso dos anos 90, marcando um retorno triunfante à televisão.
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