Reunião do Copom começa nesta terça e mercado projeta corte da Selic para 14,5%, apesar da inflação pressionada. Entenda o cenário.
O comitê de política monetária, o Copom do Banco Central, entra no radar do Brasil nesta terça-feira (28), em Brasília, com expectativa majoritária de corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic. A decisão final será divulgada na quarta-feira (29), em meio a um cenário mais delicado para a inflação do que o visto na reunião anterior.
O tema virou tendência porque juros, inflação e custo de vida mexem diretamente com o cotidiano: do preço no supermercado ao crédito, do aluguel ao financiamento. E, num país desigual como o Brasil, qualquer mudança na Selic pesa ainda mais para quem já convive com renda apertada — realidade que também atravessa boa parte da comunidade LGBTQ+, especialmente pessoas trans, jovens expulsos de casa e trabalhadores informais.
Por que o Copom está em alta agora?
Segundo avaliações de instituições como Citi, Santander, BTG Pactual e Sofisa, a expectativa predominante é de que o Copom reduza a Selic de 14,75% para 14,50%. O movimento é visto como o mais provável pelo mercado, mas já não acontece com a mesma tranquilidade de semanas atrás.
Desde a última decisão, em março, o quadro inflacionário piorou. O IPCA daquele mês avançou 0,88%, levando a inflação acumulada em 12 meses para 4,14%. Ao mesmo tempo, a mediana das projeções de mercado reunidas no Boletim Focus passou a apontar inflação de 4,80% em 2026, acima do teto da meta, que é de 4,5%.
Entre os fatores de pressão estão a alta do petróleo e a piora das expectativas. Pelas estimativas citadas no mercado e pelo próprio Banco Central, um avanço de 10% no petróleo pode acrescentar entre 0,2 e 0,4 ponto percentual ao IPCA. Em outras palavras, não se trata apenas de um número técnico: combustíveis mais caros pressionam frete, transporte e toda a cadeia de preços.
Se a inflação preocupa, por que ainda se fala em corte da Selic?
A leitura de bancos e economistas é que ainda existe espaço para um ajuste pequeno, justamente de 0,25 ponto, porque parte do choque inflacionário é externa e temporária. Para o Citi, esse corte seguiria alinhado à estratégia de convergência da inflação à meta no horizonte relevante da política monetária.
O Santander também vê uma melhora marginal no ambiente externo, com valorização do real e acomodação do petróleo em relação aos picos recentes. Isso reduziria o risco de interrupção imediata do ciclo, embora não abra espaço para cortes mais fortes. Já o BTG Pactual entende que a política monetária continua em nível contracionista, o que permite reduções graduais, mas sem ousadia.
Na prática, o mercado parece dizer o seguinte: o Copom ainda pode cortar, mas terá de falar com muito mais cautela do que antes.
Risco de pausa já entrou no radar?
Sim. Embora o consenso ainda aponte para queda da Selic nesta reunião, a possibilidade de manutenção ganhou mais força nas últimas semanas. Para parte dos analistas, a guerra e o impacto internacional sobre petróleo e expectativas de inflação deixaram o cenário mais aberto.
Por isso, a comunicação do Banco Central deve ser acompanhada com tanta atenção quanto a decisão em si. O foco já se desloca para os próximos passos, especialmente a reunião de junho. Se o comunicado vier mais duro e evitar sinalizar continuidade do ciclo, a reação do mercado pode ser negativa.
O que muda no restante de 2026?
O ponto central é que o ciclo de queda de juros pode ser mais curto do que se imaginava há alguns meses. O Sofisa, por exemplo, passou a projetar a Selic no fim de 2026 entre 13% e 13,25%, acima dos cerca de 12% estimados anteriormente. O BTG também revisou sua taxa terminal para 13%.
Isso mostra uma mudança importante: mesmo que haja corte agora, o mercado já trabalha com menos espaço para reduções adiante. Em resumo, o alívio pode vir, mas em doses menores.
O que essa discussão significa para a vida real?
Selic alta encarece crédito, desestimula consumo e tende a frear a economia. Por outro lado, também é usada como instrumento para tentar conter a inflação. Esse equilíbrio é sempre sensível, mas fica ainda mais duro quando o país enfrenta pressões externas e desigualdades internas persistentes.
Para a população LGBTQ+, o debate econômico não é abstrato. Juros altos e inflação resistente afetam mais intensamente grupos com menor proteção social e maior dificuldade de acesso a emprego formal e renda estável. Quando o custo do transporte sobe, quando o aluguel aperta ou quando o parcelamento fica inviável, esse peso não é distribuído de forma igual.
Na avaliação da redação do A Capa, o interesse em torno do comitê de política monetária cresce porque a decisão do Copom sintetiza um dilema bem brasileiro: controlar preços sem sufocar ainda mais quem já vive no limite. Em um país onde a desigualdade também tem recorte de gênero, sexualidade e raça, política monetária não deveria ser tratada como assunto distante de planilha — ela chega, cedo ou tarde, à mesa de todo mundo.
Perguntas Frequentes
O que é o comitê de política monetária?
É o colegiado do Banco Central responsável por definir a taxa Selic, que serve de referência para os juros da economia brasileira.
Quando sai a decisão do Copom?
A reunião começa na terça-feira, 28 de abril de 2026, e o resultado será divulgado na quarta-feira, 29 de abril.
Qual é a expectativa para a Selic nesta reunião?
O mercado projeta majoritariamente um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 14,75% para 14,50%, embora o risco de pausa tenha aumentado.
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