Organizações locais enfrentam retrocessos e violência com fim de apoio financeiro vital para a comunidade queer
Em Maun, uma cidade tradicional e conservadora de Botswana, a comunidade LGBTIQ+ vive uma luta diária contra o preconceito e a violência alimentados por discursos que os consideram “não africanos” ou “possuídos”. Em um cenário onde a homofobia é naturalizada e a rejeição familiar é comum, o trabalho das organizações LGBTQIA+ locais é mais que ativismo — é uma questão de sobrevivência.
Gagotheko Mothai, defensor dos direitos humanos não binário e diretor do Pink Triangle LGBTQ Support Group, relata que essa rede de apoio é o único refúgio seguro para pessoas queer na região. Desde 2018, o grupo oferece suporte emocional, mediação familiar, educação sobre orientação sexual e identidade de gênero, além de ações junto a policiais, educadores e profissionais de saúde para combater a discriminação.
O impacto devastador dos cortes na ajuda internacional
Apesar dos avanços conquistados, como o aumento da aceitação familiar e pequenas mudanças em igrejas locais, o recente corte abrupto na ajuda estrangeira dos Estados Unidos, especialmente durante a gestão Trump, colocou tudo isso em risco. Organizações parceiras fundamentais, como LEGABIBO e BONELA, tiveram que fechar seus escritórios na região, eliminando espaços vitais onde LGBTIQ+ podiam buscar acolhimento, apoio psicológico e orientações jurídicas.
“Em uma realidade onde ser queer pode significar expulsão de casa, violência e isolamento, perder esses espaços é perder esperança”, afirma Gagotheko. O fim dos programas de prevenção ao HIV, suporte psicossocial e capacitação fez retroceder o progresso, com pessoas retornando a lares abusivos e profissionais de saúde voltando a agir com preconceito por falta de treinamento contínuo.
Mais do que cortes orçamentários, um retrocesso em direitos humanos
Para a comunidade local, os cortes não simbolizam apenas a perda de recursos, mas também a legitimação da discriminação e da violência. “Dizem que até a América rejeita esse estilo de vida”, relata Gagotheko, destacando como a retirada do apoio estrangeiro fortalece discursos de ódio e exclusão.
Esse cenário evidencia a urgência de políticas e financiamentos que garantam a dignidade e segurança das pessoas LGBTIQ+ em áreas rurais. O abandono dessas populações representa não só um retrocesso social, mas um claro descumprimento dos compromissos internacionais de direitos humanos.
Resiliência e a esperança que não se apaga
Mesmo diante das adversidades, a comunidade insiste em resistir, continuando seu trabalho em busca de um futuro onde Maun e outras cidades conservadoras sejam acolhedoras e respeitosas. “Seguiremos criando espaços de esperança, mesmo que sejamos poucos”, conclui Gagotheko, convocando o mundo a apoiar, e não abandonar, a luta das pessoas queer no interior de Botswana e além.
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