Três gays de Oklahoma vivem o poder do drag e fortalecem laços na icônica competição
Em uma mistura vibrante de tradições e reinvenções, três cowboys de Oklahoma conquistaram os holofotes ao participarem de um dos desafios mais emblemáticos do RuPaul’s Drag Race. Colton Moore Edwards, Chris Sherman e Terry Covington foram os convidados especiais da edição mais recente do reality show que celebra a arte drag, protagonizando uma transformação emocionante que transcendeu o visual e tocou fundo em questões de identidade, amizade e acolhimento.
Da rotina rural ao glamour das passarelas
Colton Moore Edwards, que viajou para Los Angeles em maio de 2025 fingindo uma viagem de férias em família, foi um dos protagonistas dessa aventura. Junto com cinco outros cowboys gays de diversas regiões dos Estados Unidos, ele encarou o tradicional desafio de makeover, onde os competidores do programa dão uma transformação drag nos convidados. Chris Sherman e Terry Covington completaram o trio de Oklahoma, representando a força e diversidade da comunidade LGBTQIA+ no universo country.
Enquanto Moore Edwards e Sherman já eram amigos próximos, Covington era mais uma figura conhecida do meio, mas não um amigo tão próximo. A experiência no programa, no entanto, fortaleceu esses laços, criando novas amizades e aprofundando conexões já existentes. Para Moore Edwards, essa vivência se tornou uma fonte inesgotável de gratidão e aprendizado.
Nasce uma nova rainha: Harmony Addams
No palco do RuPaul’s Drag Race, cada cowboy foi emparelhado com uma rainha de drag local para a transformação. Moore Edwards teve a honra de ser guiado por Discord Addams, uma estrela punk-rock de St. Petersburg, Flórida, que não só o transformou fisicamente, mas também o inspirou a abraçar sua persona drag, Harmony Addams. O apoio e a benção de Discord para que Colton continuasse a jornada como Harmony mostram como o drag pode ser um caminho de empoderamento e autodescoberta.
Chris Sherman, transformado na carismática Bonnie Mitchell, e Terry Covington, com a persona Maybe Don’t, também brilharam, mesmo que nem todos tenham conquistado a vitória no desafio. A participação trouxe risadas, emoção e muita autenticidade, desafiando estereótipos e celebrando a pluralidade dentro e fora dos rodeios.
Além da maquiagem: diálogo sobre saúde mental e visibilidade
A participação no programa também ganhou um peso emocional especial após a perda de Terry Covington, que faleceu por suicídio em dezembro de 2025. Colton Moore Edwards tem usado sua visibilidade para falar sobre a importância da saúde mental, prevenção do suicídio e acolhimento dentro da comunidade rodeira LGBTQIA+. Ele destaca que, embora tenha encontrado apoio em sua trajetória, muitos ainda enfrentam dificuldades para se assumirem em ambientes tradicionalmente conservadores.
“É fundamental que as pessoas se sintam vistas e que a gente lembre daqueles que perdemos”, afirma Colton, que vê sua jornada no RuPaul’s Drag Race como uma reafirmação de sua missão de inspirar e apoiar outros a viverem sua verdade com orgulho e coragem.
Um legado de coragem e transformação
A trajetória desses três cowboys no universo drag é mais do que um episódio de televisão; é um marco de representatividade e resistência cultural. Oklahoma, estado conhecido pelo tradicionalismo, mostra que a comunidade LGBTQIA+ pode sim ocupar espaços diversos, unindo o sertão e o glitter em uma mesma narrativa.
O impacto dessa participação reverbera dentro da comunidade, reforçando que o drag é um ato político e libertador, capaz de transformar vidas e corações. A história de Colton, Chris e Terry inspira não apenas pela beleza das transformações visuais, mas pela potência do afeto, da amizade e do reconhecimento entre pessoas que desafiam barreiras para existir plenamente.
Em tempos em que a visibilidade LGBTQIA+ ainda enfrenta muitos desafios, ver cowboys de Oklahoma brilhando no palco do RuPaul’s Drag Race é um lembrete poderoso de que o amor próprio e a autenticidade são revoluções necessárias. Essa história não só celebra o talento e a coragem desses homens, mas também convida toda a comunidade a continuar lutando por espaços seguros e inclusivos, onde todos possam se expressar sem medo.
Mais do que um reality show, essa experiência se torna um símbolo de transformação — tanto externa quanto interna — que ressoa profundamente no coração da cultura queer e no imaginário coletivo. A jornada desses cowboys é um convite para que cada pessoa, independente do lugar de onde venha, possa encontrar sua voz e brilhar na sua própria passarela.