Aumento alarmante revela retrocesso nos direitos LGBTQIA+ impulsionado por discurso de ódio estatal
Na Argentina, o primeiro semestre de 2025 registrou um crescimento assustador de 70% nos crimes de ódio contra pessoas LGBTQIA+, totalizando 102 casos, segundo dados recentes do Observatório Nacional de Crimes de Ódio LGBT+. Essa escalada representa um retrocesso grave em um país que já vinha enfrentando altos índices de violência e discriminação contra sua população queer.
Este aumento não é isolado, mas parte de uma tendência preocupante: em 2023, foram contabilizados 133 casos, e em 2022, números semelhantes. Caso a atual trajetória se mantenha, os delitos homofóbicos podem ultrapassar a marca inédita de 200 registros até o final do ano, configurando um cenário crítico para a garantia dos direitos LGBTQIA+.
O papel do Estado no avanço do ódio
Para a ativista Alba Rueda, referência na luta pelos direitos das mulheres trans na Argentina, esse crescimento está diretamente ligado ao ambiente promovido pelo governo nacional. Segundo Alba, o Executivo não apenas falha em proteger a comunidade, como fomenta o discurso de ódio associando a população LGBTQIA+ a estigmas perigosos, como a pedofilia, e desmonta políticas públicas essenciais para a promoção e defesa desses direitos.
Além disso, o Observatório revela que a maioria dos ataques parte do próprio Estado: 64,7% dos episódios relatados foram cometidos por agentes de segurança ou instituições públicas, enquanto 35,3% foram realizados por particulares. Essa realidade denuncia um sistema que, em vez de proteger, perpetua a violência contra pessoas LGBTQIA+.
Violência estrutural e a necessidade de resistência
O histórico de violências físicas e simbólicas contra a comunidade queer na Argentina mostra que combater essas agressões exige tempo, mudanças culturais e políticas profundas. Ainda assim, o atual governo se destaca por incentivar o desmonte de instrumentos fundamentais, como o Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e o Racismo (INADI), que atuam na salvaguarda dos direitos humanos.
Essa conjuntura cria um cenário de insegurança e medo para pessoas LGBTQIA+, que enfrentam não só a hostilidade da sociedade, mas também a repressão institucional. Para a comunidade, a luta continua como resistência vital para assegurar dignidade, respeito e igualdade.
É urgente que a sociedade argentina e os organismos internacionais reconheçam essa crise e cobrem medidas concretas que revertam a escalada dos delitos de ódio homofóbico. A defesa dos direitos LGBTQIA+ não é apenas uma pauta de minorias, mas um compromisso com a democracia, a diversidade e a justiça social.
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