Ataques de discurso de ódio contra deputado LGBTQIA+ geram repúdio unânime no Congresso argentino
Um forte posicionamento do Congresso argentino marcou o repúdio ao programa de streaming La Misa, comandado por Daniel Parisini, conhecido como “Gordo Dan”, que veicula no canal libertário Carajo. Em uma sessão nesta quinta-feira, 42 deputados de diversas bancadas assinaram uma nota contra o discurso de ódio veiculado na edição do dia 2 de julho, onde o deputado Esteban Paulón, ativista LGBTQIA+ e defensor dos direitos das infâncias trans, foi alvo de acusações falsas e ataques homofóbicos.
O documento condena veementemente as declarações que associaram Paulón à pedofilia e desejaram que ele contraísse HIV/Aids, práticas que configuram não só difamação, mas também violação dos princípios de respeito e dignidade humana garantidos pela Constituição e tratados internacionais. A nota também convoca as forças políticas e autoridades a se posicionarem contra tais expressões que ameaçam a convivência democrática.
O ataque no programa “La Misa”
Durante a transmissão, o painelista Pablo Sebastián Pazos chamou Paulón de “pedófilo” por sua militância em prol das crianças trans e, entre risos, chegou a desejar que ele contrairia Aids. Essas agressões surgiram enquanto reproduziam um discurso do próprio Paulón, no qual anunciava uma denúncia penal contra Pazos por ofensas realizadas nas redes sociais.
Outros participantes do programa também endossaram o discurso de ódio. Nicolás Márquez, biógrafo do líder político Javier Milei, afirmou que o problema de Paulón não seria um “desordem anal”, mas sim ideológica, lamentando que ele esteja na Câmara de Deputados. Mariano Pérez, fundador do canal Break Point, atacou famílias que apoiam a transição de gênero em menores. Parisini qualificou o ativismo LGBTQIA+ como “abuso infantil” e acusou as infâncias trans de promoverem “mutilações genitais”.
Reação política e impacto
O repúdio oficial foi endossado por legisladores do Frente Amplio, União pela Pátria, UCR, Coalizão Cívica e Hacemos Coalición Federal. Entre as assinaturas, destaca-se a de Silvia Lospennato, ex-referente do PRO, atualmente alinhada a posições liberais, e Maximiliano Ferraro, que alertou para a intencionalidade das mensagens em estigmatizar e reforçar preconceitos violentos contra pessoas LGBTQIA+.
Esteban Paulón já enfrentou episódios semelhantes, tendo registrado uma denúncia contra Javier Milei por incitação ao ódio e violência coletiva após declarações que vinculavam a diversidade sexual a crimes hediondos. Com o apoio transversal do Congresso, a nova denúncia busca não apenas justiça judicial, mas também sensibilizar politicamente para o combate ao discurso de ódio.
Este episódio revela a persistência da violência simbólica contra ativistas LGBTQIA+ na esfera pública, e a importância de ações políticas que protejam o direito à dignidade e segurança desses representantes e suas comunidades.