Em SC, magistrado LGBTQIA+ expõe ataques homofóbicos e critica falta de diversidade na Justiça
Em uma postura rara e corajosa, o desembargador João Marcos Buch, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), vem denunciando abertamente os ataques homofóbicos que sofre dentro do ambiente jurídico. Em um grupo de WhatsApp de advogados, ele foi alvo de mensagens preconceituosas, que o rotularam depreciativamente como “desembargador gay”, sem jamais questionar a legitimidade de suas decisões. Essa exposição pública traz à tona uma realidade incômoda: o Judiciário brasileiro ainda é um espaço pouco acolhedor para a diversidade, especialmente para pessoas LGBTQIA+.
Um juiz que humaniza a justiça penal
João Marcos Buch ingressou na magistratura aos 24 anos e ganhou notoriedade por seu trabalho na execução penal, acompanhando de perto o cotidiano das prisões e defendendo a humanização do sistema penal. Seu compromisso com os direitos humanos chegou a ser alvo de críticas, chegando a ser chamado de “defensor de bandido”. Contudo, para Buch, esse olhar empático é essencial para combater a violência estrutural que afeta especialmente as populações vulneráveis e marginalizadas.
O desafio de ser LGBTQIA+ no Judiciário
Ao assumir o cargo de desembargador em março de 2025, Buch fez um discurso contundente, no qual denunciou o fascismo crescente no Brasil e defendeu o amor e a justiça social. Mesmo ocupando uma posição de poder, ele enfrenta homofobia explícita, inclusive por parte de colegas advogados. Buch ressalta que, se ele sofre com esses ataques, pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade enfrentam barreiras ainda maiores para garantir seus direitos.
O desembargador critica a falta de políticas institucionais de acolhimento e capacitação dentro do Judiciário, que permanece dominado por homens brancos, heterossexuais e cisgêneros, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça. Para ele, a diversidade é fundamental para que a justiça seja efetivamente plural e representativa da sociedade.
Combater o preconceito para fortalecer a democracia
Buch destaca que o Judiciário, assim como a sociedade, reproduz estruturas machistas, racistas e homofóbicas. Ele defende que a luta contra esses preconceitos deve partir de quem ocupa cargos de poder e que as instituições precisam funcionar para garantir direitos e combater discursos de ódio que ainda encontram terreno fértil no Brasil. Para o desembargador, é urgente promover políticas internas que acolham trabalhadores LGBTQIA+ e outras minorias, além de ampliar a participação dessas populações nos quadros da Justiça.
O amor como resistência
Além de sua atuação profissional, João Marcos Buch também compartilha publicamente sua vida afetiva ao lado do marido, mostrando que o amor é uma força transformadora. Ele afirma que dividir a caminhada com quem se ama torna o mundo menos difícil e é uma fonte inesgotável de energia para enfrentar os desafios diários, inclusive os preconceitos.
Ao revelar sua trajetória e enfrentar o preconceito com coragem, o desembargador João Marcos Buch não só denuncia a homofobia no Judiciário catarinense, mas também inspira a comunidade LGBTQIA+ a ocupar espaços de poder e lutar por uma justiça mais inclusiva e humana. Sua voz ressoa como um chamado urgente para que a diversidade seja reconhecida e valorizada dentro das instituições que regem a vida social e política do país.
Essas denúncias trazem à tona o quanto o ambiente jurídico ainda é permeado por preconceitos que refletem uma sociedade em transformação, mas que resiste a abandonar velhos padrões excludentes. O ato de Buch em expor essas violências não apenas desafia o status quo, mas também abre espaço para debates fundamentais sobre representatividade e direitos humanos. Para a comunidade LGBTQIA+, é um lembrete poderoso de que ocupar e transformar os espaços de poder é essencial para garantir que a justiça seja realmente para todas e todos.
Que tal um namorado ou um encontro quente?


