A situação dos LGBTQ+ na Síria é marcada por um contexto de guerra e repressão, onde a luta por direitos e liberdade se torna um luxo em meio às urgências da reconstrução do país. Em Damasco, a velha cidade abriga um submundo onde bares e locais de encontro servem como refúgios, apesar da vigilância militar. Os soldados, embora presentes, parecem ignorar os encontros furtivos que ocorrem nas sombras.
A liberação para as minorias sírias, especialmente para os queers, é uma questão complexa. Com a ascensão de grupos islâmicos no poder, a atenção internacional frequentemente se concentra nos direitos das minorias, mas a realidade é que, após décadas de ditadura, a autonomia e a liberdade só poderão ser alcançadas quando as necessidades básicas da população forem atendidas.
A liderança de Ahmed Al-Charaa, ex-associado de um dos líderes do Estado Islâmico, levanta preocupações sobre a segurança da comunidade LGBTQ+ sob o novo governo. Embora a queda de Assad tenha sido celebrada, muitos temem a possibilidade de que os direitos conquistados sejam novamente violados. A insegurança aumentou após a prisão violenta de mulheres trans, refletindo uma continuidade de repressão.
Os queers sírios que ainda estão no país vivem em um estado de clandestinidade, enquanto muitos que conseguiram escapar vivem no exílio, clamando por mudanças significativas. Khaled Alesmael, um escritor gay exilado, expressou esperança após a queda de Assad, mas reconhece que a homofobia histórica do novo governo é uma barreira difícil de superar.
Dentro da Síria, a comunidade LGBTQ+ enfrenta prioridades diferentes. Para muitos, a luta por direitos é um luxo; a sobrevivência diária e a busca por segurança e dignidade são as principais preocupações. Jad, um jovem gay de Damasco, sonha com um espaço seguro para os LGBTQ+, mas entende que isso deve vir após a satisfação das necessidades mais urgentes da população. A falta de um movimento queer ativo é vista como um desvio em tempos de crise.
Com a nova governança, a ambiguidade em relação aos direitos LGBTQ+ continua a gerar incertezas. O medo de represálias ainda é forte, e muitos hesitam em se posicionar abertamente. O Movimento dos Guardiões da Igualdade, fundado em 2021, tem se concentrado na proteção e apoio à comunidade, priorizando ajuda humanitária e serviços sociais em vez de ativismo visível, cientes dos riscos envolvidos.
As tensões entre as comunidades continuam a ser uma preocupação. A violência sectária que persiste na Síria torna a situação ainda mais delicada para os queers. A sociedade, marcada por um histórico de medo e repressão, precisa de tempo para se reconstruir, e a luta por direitos LGBTQ+ se torna uma questão de sobrevivência e solidariedade em um país que ainda se recupera de anos de conflito.
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