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Direitos LGBTQIA+ na crise climática: luta e visibilidade na COP30

Ativistas LGBTQIA+ pedem inclusão explícita e justiça climática na conferência de Belém, Brasil
Direitos LGBTQIA+ na crise climática: luta e visibilidade na COP30

Ativistas LGBTQIA+ pedem inclusão explícita e justiça climática na conferência de Belém, Brasil

Na COP30 em Belém, Brasil, a luta pelos direitos LGBTQIA+ se mistura à urgência da crise climática, evidenciando que as vulnerabilidades da comunidade queer são invisibilizadas até mesmo nos grandes fóruns globais. A psicóloga e ativista Hellen Freitas Ferreira e o ativista dominicano Starlin Paul Cadete Liranzo, representantes da juventude LGBTQIA+ da América Latina, ressaltam o contraste entre a violência sistêmica enfrentada e a necessidade de espaço e reconhecimento nas negociações climáticas.

Uma luta por inclusão e reconhecimento

Enquanto a conferência avança, cresce o apelo por uma inclusão explícita das comunidades LGBTQIA+ nos documentos oficiais da COP30. Em carta aberta ao presidente André Corrêa do Lago, organizações pedem que a conferência se torne verdadeiramente representativa, garantindo financiamento climático direcionado a iniciativas lideradas por pessoas queer, principalmente no Sul Global. A mensagem é clara: a justiça climática não será alcançada sem incluir as comunidades historicamente marginalizadas.

“Quando falamos de crise climática sem falar das pessoas queer, contamos apenas metade da história”, destaca Martina Rogato, presidente de uma organização internacional de direitos humanos. Essa interseção entre marginalização social e impactos ambientais agrava a vulnerabilidade da comunidade LGBTQIA+, que perde não só seus lares, mas também os espaços seguros que construiu com dificuldade.

O Brasil: cenário paradoxal de democracia e violência

O Brasil, apesar de ser uma democracia onde ativistas podem se expressar, registra um dos maiores índices mundiais de violência contra pessoas trans e LGBTQIA+. Hellen Freitas Ferreira aponta que a ausência da comunidade nos textos climáticos reforça essa condenação estrutural, aprofundando insegurança e apagamento.

Essa invisibilidade é ainda mais grave em contextos de desastre, onde a falta de políticas inclusivas nas evacuações e abrigos expõe pessoas LGBTQIA+ a discriminações e perigos adicionais. A presença de banheiros inclusivos em Belém é um avanço simbólico, mas a luta por direitos e reconhecimento vai muito além.

Realidades caribenhas e a urgência da representatividade

Na República Dominicana, os impactos dos furacões são constantes e devastadores, mas a comunidade LGBTQIA+ segue excluída das decisões climáticas. Starlin Paul Cadete Liranzo ressalta que ser negro, gay e pobre no Caribe significa invisibilidade em múltiplas camadas, tornando ainda mais urgente a inclusão e o protagonismo queer nas soluções climáticas.

O movimento reivindica não apenas ser consultado, mas participar ativamente do co-design das políticas e projetos climáticos, rompendo com a lógica de decisões impostas por outros.

Interseccionalidade no centro das negociações

Este ano, a costituinte das mulheres e gêneros da UNFCCC colocou a interseccionalidade como eixo central, desafiando os líderes mundiais a não deixarem para trás quem enfrenta duplas violências — climática e estrutural. A luta da comunidade LGBTQIA+ na COP30 revela que a crise climática é também uma crise social, que exige políticas inclusivas e justas para todas as identidades.

Essa demanda por visibilidade e direitos na COP30 não é só uma pauta política, mas um chamado urgente para que as narrativas e soluções climáticas considerem a diversidade humana em sua complexidade. É um passo necessário para que a justiça climática não seja apenas um ideal, mas uma realidade que abrace todas as pessoas, especialmente as que mais sofrem com as consequências da crise ambiental.

Ao dar voz às comunidades LGBTQIA+, a conferência se torna um espaço de resistência e esperança, mostrando que a luta por direitos e sustentabilidade é indissociável. A visibilidade conquistada na COP30 pode ser o início de uma transformação cultural profunda, onde a diversidade seja reconhecida como força vital para um futuro mais justo e inclusivo.

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