Investigação amadora desvenda o caso do ‘Gay Black Dahlia’ e traz justiça após décadas
Um novo documentário que estreia no festival SXSW traz à tona a história de Bill Newton, conhecido como Billy London, um ator gay da indústria adulta cujo assassinato brutal em West Hollywood em 1990 ficou sem solução por anos. O corpo de Newton foi encontrado desmembrado, com sua cabeça e pés jogados em um beco, cenário que chocou uma comunidade já abalada pela epidemia de AIDS.
O caso que passou despercebido
Rachel Mason, diretora do documentário My Brother’s Killer, começou a investigar o caso ao pesquisar para seu filme anterior sobre a famosa livraria adulta Circus of Books, localizada próxima ao local do crime. Ela ouviu a expressão “Gay Black Dahlia” para descrever Newton, uma referência à icônica e brutalmente assassinada Elizabeth Short, conhecida como Black Dahlia, cujo caso em 1947 foi amplamente noticiado e nunca resolvido. No entanto, a morte de Newton teve pouca repercussão, ofuscada pela crise da AIDS na época.
Amadores que se tornaram detetives
O documentário mostra como um grupo de detetives amadores gays, incluindo o apresentador Christopher Rice e outros entusiastas, colaborou para reabrir o caso. Um deles, Clark Williams, um pai de família de Wisconsin, desenvolveu a pista decisiva que levou a polícia de Los Angeles a investigar DarraLynn Madden, uma ex-atriz adulta e skinhead trans que cumpria pena por outro assassinato.
A confissão que chocou
Madden, que atualmente é uma mulher trans, confessou em uma entrevista com Mason, realizada sob rigorosas condições de segurança, que ela e seus amigos atacaram Newton, motivados por ódio e violência contra ele por ser gay e estar sob efeito de drogas. Ela detalhou o estrangulamento e o desmembramento do corpo para tentar ocultar o crime. Apesar da confissão, promotores não apresentaram acusações formais por falta de provas além do depoimento.
Impacto e encerramento
Para a família de Newton e os detetives amadores, a confissão foi um alívio e um fechamento para um mistério doloroso. Marc Rabins, ex-namorado de Newton, disse sentir que seu amado finalmente está “voando livre” após tantos anos. Clark Williams ressaltou que a história de Newton representa uma geração de homens gays que cresceram nos anos 80 e 90, enfrentando desafios profundos e muitas vezes tragédias.
Este documentário não só resgata a memória de Billy London, como também ilumina as sombras de uma época em que a violência contra pessoas LGBTQIA+ era invisibilizada, especialmente em meio à epidemia de AIDS. Revela a força da comunidade LGBTQIA+ na busca por justiça, mesmo quando os sistemas oficiais falham.
A descoberta e o relato da verdade sobre o assassinato de Bill Newton reforçam a importância da representatividade e do reconhecimento das vidas LGBTQIA+, que muitas vezes foram marginalizadas ou silenciadas. Este é um chamado para que continuemos a contar nossas histórias, honrar nossos mortos e fortalecer nossa luta por segurança e respeito.
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