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domingo legal entra em foco após decisão judicial

domingo legal entra em foco após decisão judicial

Programa do SBT virou assunto após liminar sobre uso de animais em quadro com rã. Saiba o que a Justiça determinou.

O domingo legal voltou aos assuntos mais buscados no Brasil nesta quinta-feira (16), após uma decisão da 5ª vara Cível de Osasco determinar novas regras para o uso de animais em programas do SBT. A liminar foi concedida depois da repercussão de um quadro exibido em 22 de março de 2026, em que uma rã apareceu no palco da atração comandada por Celso Portiolli.

Segundo a decisão da juíza Maria Helena Steffen Toniolo Bueno, a emissora só poderá utilizar animais mediante supervisão de médico veterinário e com medidas concretas para evitar estresse, sofrimento e maus-tratos. Em caso de descumprimento, a multa fixada é de R$ 100 mil por cada animal submetido a situação irregular.

Por que o domingo legal está em alta?

O interesse em torno do domingo legal cresceu porque o caso mistura três elementos que costumam mobilizar o debate público: televisão aberta, redes sociais e proteção animal. O episódio questionado aconteceu no quadro Cardápio Surpresa, quando o apresentador recebia o influenciador Lucas Guimarães e a cantora Manu Bahtidão. Durante a dinâmica, uma rã foi levada ao palco, houve reação dos convidados e o animal acabou escapando, gerando uma cena que circulou amplamente online.

Entidades de proteção animal acionaram a Justiça alegando que a rã foi submetida a manuseio inadequado, ruídos intensos e iluminação excessiva, em desacordo com suas necessidades fisiológicas. As associações também sustentaram que o uso do animal como elemento de entretenimento desrespeita o artigo 225, parágrafo 1º, inciso VII, da Constituição Federal, além da lei federal 9.605/98 e da lei estadual paulista 11.977/05.

O Ministério Público se manifestou favoravelmente ao prosseguimento da ação, destacando o interesse público na proteção da fauna e a vedação constitucional a práticas cruéis. Esse ponto ajudou a ampliar o alcance da notícia, já que não se trata apenas de uma polêmica televisiva, mas de uma discussão jurídica sobre os limites do entretenimento.

O que a Justiça determinou ao SBT?

Na liminar, a magistrada entendeu que havia elementos suficientes para conceder tutela de urgência. Em termos práticos, a decisão estabelece que qualquer uso de animais em quadros de entretenimento deverá seguir diretrizes mínimas de bem-estar, definidas e acompanhadas por profissional veterinário habilitado.

Entre os fatores que precisam ser observados estão ruído, iluminação, manuseio e outras condições capazes de causar estresse ou sofrimento. A juíza também destacou que a proteção aos animais tem respaldo constitucional direto e não pode ser relativizada sob a justificativa de recreação.

“A vedação constitucional à crueldade contra animais é norma de eficácia plena, não sendo possível afastá-la ou relativizá-la sob o pretexto de finalidade recreativa ou de entretenimento”, registrou a decisão.

Outro ponto importante é o risco de repetição. Para a magistrada, sem intervenção judicial, episódios semelhantes poderiam voltar a ocorrer com outros animais, o que justificaria a urgência da medida. A decisão é liminar, ou seja, ainda faz parte do andamento inicial do processo, mas já produz efeitos imediatos.

Qual foi a resposta da emissora?

Em nota, o SBT informou que tomou ciência da decisão judicial e que irá se manifestar nos autos do processo. A emissora afirmou ainda que respeita a legislação de proteção aos animais e que observa protocolos e cuidados aplicáveis quando eles participam de programas de entretenimento.

Mesmo assim, o caso reforça uma cobrança cada vez mais presente do público sobre responsabilidade editorial. Hoje, cenas antes tratadas como “brincadeira de auditório” são analisadas com muito mais rigor — e isso vale tanto para o tratamento dado a pessoas quanto a animais.

O debate interessa à comunidade LGBTQ+?

Sim, especialmente porque parte importante do público LGBTQ+ acompanha cultura pop, televisão e discussões sobre direitos com olhar atento para violência simbólica e ética no entretenimento. A reação ao caso mostra como a audiência brasileira está menos tolerante a formatos que naturalizam constrangimento, exploração ou sofrimento em nome da diversão.

Também há um componente de sensibilidade social: comunidades historicamente marginalizadas, como a LGBTQ+, costumam reconhecer com rapidez quando corpos — humanos ou animais — são transformados em objeto de espetáculo. Embora o processo trate especificamente de proteção animal, a conversa pública que ele provoca é mais ampla e fala sobre limites, cuidado e responsabilidade na mídia.

Na avaliação da redação do A Capa, a decisão sobre o domingo legal sinaliza uma mudança importante no padrão de cobrança sobre a TV aberta brasileira. Não se trata de “cancelar” programas populares, mas de exigir que entretenimento não ultrapasse fronteiras básicas de dignidade e proteção, algo que dialoga com pautas caras ao público LGBTQ+ e progressista.

Perguntas Frequentes

O domingo legal foi proibido de usar animais?

Não totalmente. A decisão determina que o uso só pode ocorrer com supervisão veterinária e medidas que evitem estresse e maus-tratos.

Qual foi o motivo da ação judicial?

A ação foi movida por entidades de proteção animal após a exibição de uma rã em um quadro do programa, em 22 de março de 2026.

Qual é a multa prevista se houver descumprimento?

A liminar fixa multa de R$ 100 mil por cada animal submetido a maus-tratos, além de outras sanções cabíveis.


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