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Drag como ferramenta para autodescoberta trans e política queer

Travis Tea compartilha como o drag revelou sua identidade trans e desafia o sistema binário de gênero
Drag como ferramenta para autodescoberta trans e política queer

Travis Tea compartilha como o drag revelou sua identidade trans e desafia o sistema binário de gênero

Travis Tea, artista drag e poeta boêmio, é uma voz potente na cena queer que utiliza o drag para expressar sua jornada pessoal e política. Com uma trajetória que começou na pandemia, Travis encontrou no drag king não apenas uma forma de arte, mas um instrumento vital de autoconhecimento e resistência contra o sistema binário de gênero.

Desde jovem, Travis sentia uma conexão com o universo drag, mas só ao conhecer os drag kings durante o isolamento social, percebeu um espaço para sua expressão. “Sentia que não havia lugar para mim entre as drag queens”, revela, lembrando sua estreia na House Of Basqueers, em Bilbau, um espaço acolhedor e político para a comunidade LGBTQIA+.

Drag e a desconstrução do binarismo

Para Travis, a descoberta do drag king está profundamente ligada à luta contra o machismo estrutural, que invisibiliza o trabalho e as vozes das mulheres e pessoas não-binárias. Ele destaca que a separação entre drag queen e drag king pode reforçar sistemas opressores, e que o drag deve ser uma ferramenta política para romper padrões de gênero e abrir espaço para identidades plurais.

Inspirado pelas palavras da drag Albina Stardust, Travis acredita que é fundamental quebrar os papéis tradicionais dentro do drag, indo além das categorias de “queen” ou “king” para desafiar o binarismo e ampliar a liberdade de expressão de gênero.

Entre a poesia e a política

Travis Tea também se aprofunda na poesia como meio de expressar sentimentos intensos de amor e desamor, utilizando versos que revelam sua essência. Embora sua arte seja permeada por questões de identidade, ele opta por não referir-se diretamente ao gênero em seus poemas, enfatizando a multiplicidade das formas de amar e se relacionar.

Além disso, Travis compartilha uma experiência emocional profunda: “Graças ao drag, descobri que sou uma pessoa trans”. O ritual de se maquiar e se vestir perante o espelho o conectou com uma verdade que vinha evitando há anos, mostrando como o drag pode ser um processo libertador e revelador para muitas pessoas trans e não-binárias.

O drag como espaço de resistência e comunidade

Movendo-se também no universo do heavy metal, Travis inicialmente pretendia criticar o machismo presente nesse cenário, mas escolheu não reforçar estereótipos negativos em sua arte drag. Para ele, o humor e a paródia são estratégias válidas, mas não pretende ser ridicularizado: sua performance é uma expressão sincera de sua identidade e posicionamento político.

O percurso de Travis Tea no drag é, portanto, uma celebração da diversidade, um convite para desconstruir normas e um testemunho de que a arte drag pode ser um poderoso caminho para a autodescoberta e a afirmação trans.

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