De boates LGBT+ para a TV, teatro e redes sociais, as drags do Rio ganham destaque e ampliam sua influência cultural
O universo drag no Rio de Janeiro tem passado por uma revolução incrível nos últimos anos. O que antes era restrito às boates voltadas para o público LGBTQIA+ agora transcende espaços e chega com força ao teatro, à televisão, aos festivais e às redes sociais, mostrando toda a potência e pluralidade dessa cultura.
Um exemplo emblemático dessa transformação é Suzy Brasil, personagem criada pelo ator Marcelo Souza, que há mais de três décadas vem construindo uma carreira sólida e que, especialmente durante a pandemia, explodiu nas redes sociais. Com o apoio de grandes nomes como Paulo Gustavo e Marcus Majella, Suzy conquistou uma legião de fãs e hoje lota teatros com seu humor afiado e performances únicas, além de participar de programas de TV e ganhar prêmios importantes.
A internet e a nova geração drag
A internet foi um divisor de águas para a cultura drag carioca. Antes limitada aos palcos de casas noturnas, a cena ganhou visibilidade e alcançou públicos inéditos. O reality show RuPaul’s Drag Race, disponível na Netflix, teve papel fundamental nesse processo, inspirando uma nova geração de artistas que se montam e performam com uma linguagem renovada e cheia de personalidade. A boate Pink Flamingo, fundada por Thiago Araujo, é hoje o epicentro dessas apresentações diárias, reunindo desde veteranas até as novas estrelas da cena.
Além da versão brasileira do RuPaul’s Drag Race, outros reality shows e turnês ao vivo têm movimentado ainda mais esse universo, ampliando as oportunidades para as drags e promovendo a diversidade e a representatividade.
Drag queens e o pop nacional
O impacto das drags no cenário pop brasileiro é inegável. Artistas como Pabllo Vittar e Gloria Groove, que transitaram do universo drag para se tornarem grandes estrelas da música, são símbolos dessa transformação. Essa visibilidade reforça a importância do trabalho artístico das drags, que envolvem múltiplas habilidades — desde a maquiagem e figurino até a atuação e direção de cena.
Além dos palcos e das redes, eventos de grande porte na cidade do Rio de Janeiro, como os shows de Madonna, Lady Gaga e Shakira na Praia de Copacabana, também impulsionam a presença das drags em espaços culturais mais amplos, fortalecendo seu protagonismo.
Desafios e diversidade
Apesar das conquistas, a caminhada ainda tem seus obstáculos. A concorrência cresce, e a realidade das drags negras, por exemplo, evidencia a persistência de padrões estéticos embranquecidos e a necessidade de políticas públicas e investimentos para garantir igualdade de oportunidades. Artistas como Igor Ramos, criador da drag Mamonna, têm se dedicado a ampliar o debate e fortalecer a cena com projetos culturais e pesquisas que valorizam a diversidade da cultura drag carioca.
O Rio, com seu jeito inflamado e vibrante, traz um tempero único para a arte drag, que segue conquistando espaços e corações, mostrando que talento e autenticidade são os verdadeiros protagonistas.
Vocabulário drag para mergulhar na cultura
Para quem quer se aproximar ainda mais desse universo fascinante, aqui vai um mini-guia com termos que fazem parte do vocabulário drag:
- Caricata: drag voltada para o humor e a sátira.
- CDzinha: abreviação de cross-dresser, drag com visual mais delicado, parecendo uma garotinha.
- Gongar: criticar ou ridicularizar alguém.
- Lip sync: performance em que a drag dubla uma música, sincronizando lábios e expressões.
- Mona: termo carinhoso para amiga, irmã ou pessoa gay afeminada.
- Montação: o processo completo de transformação no personagem drag, incluindo maquiagem, figurino, peruca e atitude.
- Shade: indireta, uma forma sutil de crítica.
- Slay: arrasar, brilhar intensamente.
- Tea: fofoca, informação quente do meio.
Essa cultura rica e multifacetada convida todas e todos a celebrar a liberdade de expressão e a criatividade que as drags representam, fortalecendo o protagonismo LGBTQIA+ e abrindo caminhos para futuras gerações.
É impossível não se emocionar com o impacto cultural que as drag queens cariocas têm alcançado, não só como artistas, mas como símbolos de resistência e empoderamento. Sua presença vibrante nos palcos e nas telas inspira a comunidade LGBTQIA+ a ocupar seus espaços com orgulho e autenticidade, mostrando que a arte drag é uma linguagem poderosa para transformar realidades e promover o respeito à diversidade.
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