Tabletop RPGs ajudam jovens queer a explorar identidade e fortalecer laços sociais no Kaleidoscope Youth Center
Em Columbus, Ohio, o jogo de RPG de mesa Dungeons & Dragons (D&D) tem se tornado muito mais que uma simples diversão para os jovens LGBTQ+ atendidos pelo Kaleidoscope Youth Center (KYC). Desde 2017, esse espaço acolhedor oferece sessões do jogo que vão muito além dos dados e das aventuras: eles criam um ambiente seguro para que jovens queer possam se expressar, se conectar e explorar suas identidades.
Um terceiro espaço acolhedor para a comunidade queer
Historicamente, pessoas LGBTQ+ enfrentam dificuldades para encontrar espaços que não sejam bares ou ambientes hostis para socializar. Os jogos de RPG de mesa surgem como um “terceiro espaço”, um ambiente comunitário seguro, acessível e criativo. Para os jovens do KYC, Dungeons & Dragons é uma chance de praticar matemática, desenvolver habilidades sociais e, sobretudo, contar suas próprias histórias.
Adam Crawford, presidente da organização Pride Gamers of Columbus, que apoia iniciativas como essa, explica que o RPG ajuda a quebrar barreiras e a construir conexões entre pessoas que, muitas vezes, já se sentem marginalizadas. “Os jogadores podem criar personagens queer, explorando suas identidades de maneira lúdica e sem julgamentos”, destaca.
Histórias queer ganham vida nas mesas de jogo
O poder de D&D está na narrativa colaborativa. O mestre do jogo, chamado Dungeon Master, cria o cenário e embala os personagens dos jogadores em aventuras que misturam fantasia, horror e ficção científica. A diversidade de gêneros e orientações sexuais pode ser representada sem limitações, oferecendo às pessoas LGBTQ+ um espaço para se verem refletidas. Isso é especialmente importante em um mundo onde a representação queer ainda é escassa na mídia tradicional.
Kyros Erwood é um exemplo vivo desse impacto. Com 17 anos, ele frequenta o KYC desde os 12 e encontrou no D&D um refúgio para experimentar seu gênero. Seu personagem, Kepli, um halfling rogue, usa pronomes diferentes dos seus de nascimento, e essa experiência o ajudou a afirmar sua identidade transgênero. “Foi assim que percebi que eu era, de fato, trans”, conta Kyros, emocionado.
Fortalecendo laços e habilidades sociais
Para muitos, o jogo é também um espaço para superar a timidez e a ansiedade social. Kyros lembra que, antes de jogar, tinha dificuldade para se relacionar, passando mais tempo com os animais da sala do que com colegas. No RPG, ele pôde aprender a interagir em um ambiente seguro, onde erros sociais são permitidos e até atribuídos aos personagens.
Chris Sutton, voluntário que iniciou o programa no KYC, ressalta que o foco na narrativa ajuda a engajar até os jogadores mais tímidos, permitindo que se expressem e criem laços profundos com o grupo. A conexão entre as pessoas cresce à medida que os personagens desenvolvem suas histórias e amizades no jogo.
O futuro do RPG e da representatividade queer
O programa de Dungeons & Dragons no Kaleidoscope Youth Center já tem oito anos e segue firme, com o apoio de voluntários e parceiros como o Pride Gamers of Columbus, que doou mesas e acessórios para melhorar a experiência dos jogadores. Além disso, a comunidade explora outras formas de jogos, como Magic: The Gathering, para ampliar ainda mais a representatividade LGBTQ+.
Pesquisas acadêmicas recentes também apontam o potencial terapêutico dos jogos de RPG para a afirmação da identidade queer, reforçando o valor dessa prática para a saúde mental e o empoderamento dos jovens LGBTQ+.
Em resumo, Dungeons & Dragons não é apenas um jogo em Ohio: é um espaço vital de pertencimento, criatividade e descoberta para jovens LGBTQ+, que encontram nas mesas de RPG um verdadeiro refúgio para serem quem realmente são.
Que tal um namorado ou um encontro quente?


