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el niño ganha alerta de risco maior no RS

Nova nota técnica da Furg elevou a projeção para um El Niño muito forte no Rio Grande do Sul. Entenda os impactos e o que muda.
el niño ganha alerta de risco maior no RS

Nova nota técnica da Furg elevou a projeção para um El Niño muito forte no Rio Grande do Sul. Entenda os impactos e o que muda.

O El Niño voltou a subir nas buscas no Brasil nesta quarta-feira (13) depois que o Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex), ligado à Furg, atualizou o cenário para o Rio Grande do Sul. Em Rio Grande, no sul do Estado, a nova nota técnica indicou que o fenômeno pode alcançar a categoria “muito forte” a partir do segundo semestre de 2026.

O tema ganha tração porque mexe diretamente com a rotina de milhões de pessoas, especialmente num Estado que ainda convive com a memória recente de tragédias climáticas. Segundo o documento, o principal efeito esperado é o aumento de chuvas acima da média, sobretudo na primavera, o que eleva o risco de instabilidade e de eventos meteorológicos severos.

O que mudou na previsão do El Niño no Rio Grande do Sul?

A principal mudança foi a revisão da intensidade esperada. Antes, o Ciex trabalhava com a possibilidade de um evento forte. Agora, a projeção passou para muito forte. De acordo com o meteorologista Ricardo Gotuzzo, pesquisador do Ciex e do Instituto de Oceanografia, a atualização ocorreu após a identificação de aumento nas anomalias térmicas na subsuperfície do Oceano Pacífico Equatorial.

Segundo a nota, entre 100 e 200 metros de profundidade, o aquecimento já supera +6°C. Além disso, a atmosfera começa a responder, ainda que de forma branda, a esse aquecimento anômalo das águas superficiais. Em termos técnicos, isso é relevante porque o El Niño não depende só do oceano aquecido: é preciso haver interação consistente entre oceano e atmosfera.

Mesmo assim, o Ciex ressalta que o fenômeno ainda não está fisicamente consolidado. Ou seja, há sinais robustos de formação e intensificação, mas não um cenário fechado ponto por ponto. Meteorologistas usam quatro categorias para classificar o evento: fraco, moderado, forte e muito forte. Para entrar na faixa máxima, as anomalias de temperatura precisam atingir ao menos +2°C na região monitorada.

Por que o tema está em alta agora?

O interesse disparou porque a nova projeção reforça um alerta que tem impacto direto sobre defesa civil, infraestrutura urbana, agricultura e saúde pública. Quando um órgão técnico vinculado a uma universidade pública aponta a chance de um El Niño muito forte, isso acende discussões imediatas sobre prevenção, orçamento e preparação local.

No caso do Rio Grande do Sul, o histórico recente pesa. A possibilidade de uma estação mais úmida e com maior frequência de chuva preocupa autoridades e moradores, especialmente em áreas vulneráveis a alagamentos, enchentes e deslizamentos. A própria nota técnica destaca que não é preciso um evento extremo na categoria máxima para haver danos: episódios moderados já podem favorecer instabilidade e tempo severo.

Também por isso, o Ciex reuniu nesta quarta-feira representantes das Defesas Civis regionais de Pelotas, Rio Grande e São José do Norte, além do Corpo de Bombeiros e da Agência da Lagoa Mirim. O encontro, realizado na sala de operações do centro em Rio Grande, teve foco em orientar gestores públicos sobre medidas antecipadas de mitigação de riscos.

Quais impactos podem ser sentidos nos próximos meses?

Neste momento, os cientistas evitam cravar quais cidades ou regiões serão mais afetadas. Segundo Gotuzzo, previsões exatas sobre eventos extremos só ganham confiabilidade técnica em uma janela de 7 a 10 dias antes de um possível episódio. O que já dá para afirmar, com base na tendência sazonal, é que o segundo semestre pode ser mais úmido do que o normal.

Na prática, isso significa uma condição estatística mais favorável a temporais, acumulados elevados de chuva e transtornos associados. Para a população, a recomendação implícita é acompanhar boletins oficiais e não tratar a discussão como algo distante. Para o poder público, a orientação do Ciex é clara: sair de um modelo reativo e adotar estratégias de planejamento preventivo.

Para a comunidade LGBTQ+, esse debate também importa. Eventos climáticos extremos tendem a atingir de forma desigual pessoas em situação de vulnerabilidade social, incluindo jovens expulsos de casa, pessoas trans em maior precarização econômica e quem depende de redes comunitárias para moradia e cuidado. Em emergências, acesso a abrigo, documentação, medicação contínua e acolhimento sem discriminação fazem diferença real.

Na avaliação da redação do A Capa, o alerta sobre o El Niño precisa ser lido para além da meteorologia. Quando a ciência aponta risco elevado com meses de antecedência, a resposta mais responsável é fortalecer prevenção, comunicação pública e proteção social — inclusive para grupos historicamente mais vulneráveis, que costumam sofrer primeiro e receber ajuda por último.

Perguntas Frequentes

O El Niño já começou oficialmente?

Ainda não de forma consolidada, segundo o Ciex. Há sinais importantes de aquecimento no Pacífico e resposta inicial da atmosfera, mas o fenômeno segue em formação.

O que significa El Niño “muito forte”?

É a categoria mais alta usada por meteorologistas. Ela está associada a anomalias de temperatura de pelo menos +2°C na área monitorada do Pacífico Equatorial.

Já dá para saber quais cidades terão enchentes?

Não com precisão. De acordo com os especialistas, previsões confiáveis para eventos extremos costumam existir apenas entre 7 e 10 dias antes de cada ocorrência.


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