Projeto original de Elio tinha protagonista LGBTQIA+ que foi removido após pressões internas e medo de controvérsias
O lançamento de Elio em junho de 2025 trouxe para as telas a mais nova animação da Pixar, mas poucos sabem que o filme que chegou ao público sofreu uma verdadeira revolução por trás das câmeras. O que começou como um projeto com uma protagonista queer foi profundamente alterado por uma crise interna no estúdio, resultando na remoção de qualquer representação LGBTQIA+ do personagem principal.
Um projeto queer apagado pela insegurança do estúdio
Adrian Molina, codiretor de Viva – A Vida é uma Festa, idealizou Elio como um garoto de 11 anos que carregava sutis sinais visuais de sua identidade queer, como a decoração do quarto que indicava sua paixão por alguém do mesmo sexo. Porém, esse aspecto delicado e pioneiro foi eliminado à medida que a Pixar enfrentava pressões internas para evitar polêmicas relacionadas à diversidade.
Fontes ligadas ao estúdio revelaram que as lideranças da Pixar foram removendo repetidamente cenas e detalhes que indicavam a sexualidade de Elio. A decisão foi influenciada por receios após controvérsias recentes envolvendo outras produções da Disney e Pixar, como a rejeição ao filme Lightyear e a exclusão de uma trama trans na série Ganhar ou Perder.
Troca de diretores e mudanças no roteiro
Após um teste de exibição que não agradou aos executivos, quando ninguém demonstrou interesse em pagar para assistir ao filme, Adrian Molina deixou o projeto. A direção foi então assumida por Madeline Sharafian e Domee Shi, mas o resultado final acabou sendo uma mistura desconexa que não agradou nem à equipe original nem à nova.
Um ex-funcionário da Pixar chegou a afirmar que a versão lançada nos cinemas é “bem pior do que a melhor versão de Adrian”. O personagem Elio foi remodelado para parecer mais “masculino” e menos queer, em uma tentativa de evitar novas controvérsias, mas ao custo da autenticidade e da representatividade.
Orçamento inflado e bilheteria abaixo do esperado
O processo de refazer cenas e alterar a estrutura do filme fez com que o orçamento original de US$ 150 milhões ultrapassasse US$ 200 milhões, segundo fontes. Mesmo com esse investimento extra, o filme estreou com uma das piores bilheterias da história da Pixar, arrecadando apenas US$ 20 milhões no primeiro final de semana nos Estados Unidos.
Essa trajetória levanta questionamentos sobre o preço da insegurança em relação à diversidade. Teria sido melhor para a Pixar manter a visão original de Adrian Molina, que trazia uma representatividade queer importante para o público LGBTQIA+?
Reflexos para a comunidade LGBTQIA+
O apagamento da personagem queer em Elio é um reflexo das barreiras ainda enfrentadas por produções mainstream na hora de abraçar a diversidade. Para o público LGBTQIA+, especialmente jovens, ver suas identidades refletidas na tela é fundamental para fortalecer a autoestima e promover a inclusão.
Enquanto a Pixar enfrenta sua crise interna, a comunidade LGBTQIA+ observa com atenção e espera que futuros projetos possam celebrar a pluralidade de identidades sem medo ou censura.
Assim, Elio se torna não apenas um filme, mas um símbolo da luta por mais visibilidade e respeito dentro das grandes indústrias culturais.
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