Vítima relata bullying homofóbico e ambiente tóxico que o forçou a pedir demissão
Um ex-funcionário gay da loja Checkers no BT Ngebs Mall, em Mthatha, Eastern Cape, revelou ter sofrido meses de bullying homofóbico por parte da gerência, o que o levou a pedir demissão. Ele relatou uma série de insultos, humilhações e atitudes discriminatórias direcionadas à sua orientação sexual, tornando seu ambiente de trabalho insustentável.
Início do assédio e ofensas diretas
O assédio começou entre abril e maio de 2025, quando ele pediu para sair mais cedo do trabalho para ir a uma clínica por estar doente. A gerente do estabelecimento questionou sua aparência e respondeu com uma fala homofóbica: “Como posso estar bem se estou dormindo com outros homens e também sou homem?” Esse foi o primeiro episódio que o fez perceber o preconceito no local.
Humilhações públicas e tratamento desrespeitoso
Com o tempo, o bullying verbal aumentou e se espalhou entre os gestores. Em uma ocasião, uma gerente administrativa gritou com ele e o chamou de “estúpido” por não estar fazendo nada em um dia tranquilo na cafeteria onde trabalhava. Quando ele explicou que não havia clientes para atender, ela continuou com as ofensas. Outro momento delicado foi quando a gerente do ramo o chamou de “hurry up, stabane” — um insulto homofóbico — na frente de clientes, expondo-o publicamente.
Busca por ajuda interna sem sucesso
O ex-funcionário tentou relatar o que acontecia ao representante dos trabalhadores e a outros gestores, mas recebeu respostas que minimizavam o problema, como “gerentes são assim, você precisa entendê-los”. Essa falta de apoio e reconhecimento agravou seu sofrimento emocional e sensação de exclusão.
Sentimento de exposição e impacto emocional
Ele descreveu o impacto psicológico das ofensas, principalmente por ter sido “exposto” publicamente sem consentimento, o que é uma violação de sua privacidade e direito de escolher quando e para quem revelar sua orientação sexual. O ambiente tóxico e hostil prejudicou sua autoestima e produtividade.
Demissão e ação judicial
Incapaz de suportar a situação, ele optou por sair da empresa. Posteriormente, abriu uma reclamação formal na Comissão de Conciliação, Mediação e Arbitragem (CCMA) contra a Checkers. O primeiro julgamento ocorreu em 16 de outubro de 2025, mas a empresa não compareceu. Depois, Checkers pediu para que o caso fosse levado à arbitragem.
Negociações e recusa em retornar
Em novembro de 2025, representantes da Checkers, incluindo membros do escritório LGBTQIA+ e da mesa de direitos humanos, tentaram negociar um retorno do ex-funcionário em troca do encerramento do processo na CCMA. Ele recusou, alegando que não seria o primeiro queer a deixar a loja por homofobia e que voltar significaria enfrentar novamente um ambiente tóxico. Ele também apontou a inércia da empresa diante das denúncias internas, onde os gestores continuaram confortáveis em fazer comentários homofóbicos.
Posicionamento da Checkers
A empresa declarou que preza pela dignidade e respeito a todos os funcionários, sem discriminação por orientação sexual, raça ou qualquer outro motivo. Alegou não ter recebido reclamações formais e ressaltou que possui procedimentos para que empregados possam reportar problemas e apelar decisões. Contudo, não respondeu aos questionamentos após o recebimento das novas informações sobre o caso.
O caso está agora marcado para arbitragem em 16 de janeiro de 2026, e acompanharemos seu desdobramento.
Este relato expõe a realidade dolorosa de muitos LGBTQIA+ que enfrentam homofobia velada ou explícita no trabalho, especialmente em ambientes que deveriam zelar pela inclusão. O silêncio e a falta de ação das empresas perpetuam ciclos de exclusão e sofrimento.
É urgente que marcas e estabelecimentos promovam não apenas políticas, mas práticas efetivas de respeito e acolhimento para que pessoas LGBTQIA+ possam trabalhar com dignidade e segurança. A luta contra a homofobia no ambiente profissional é também uma luta por direitos humanos e por uma sociedade mais justa.
Que tal um namorado ou um encontro quente?


