De Kylie Minogue a Amy Taylor, mostra em Melbourne destaca a força e irreverência das divas na cultura pop
O Australian Museum of Performing Arts (AMPA), em Melbourne, recebe a exposição DIVA, que traz para o Brasil e para a comunidade LGBTQIA+ um mergulho vibrante na história dos figurinos icônicos das maiores divas da música, teatro e cultura pop mundial. Com peças que vão desde a irreverência punk de Amy Taylor, vocalista do Amyl and the Sniffers, até o glamour atemporal de Kylie Minogue, a mostra é um verdadeiro tributo à criatividade, poder e autenticidade das divas que moldaram a cena artística global.
O que significa ser uma diva?
Para a curadora Margot Anderson, a palavra “diva” no contexto australiano ganha um toque especial: “uma mistura de leveza, senso de humor e uma pitada de subversão e desafio”. E é justamente essa energia que pulsa nos figurinos expostos, como o vestido feito de Whoopee Cushions usado por Amy Taylor no palco do Sidney Myer Music Bowl, que simboliza o espírito irreverente e disruptivo das divas contemporâneas.
Já a curadora do Victoria and Albert Museum (V&A) de Londres, Kate Bailey, destaca que a exposição resgata a origem latina da palavra “diva” — que significa deusa romana — e sua evolução para descrever cantoras de ópera até sua apropriação na cultura pop, passando pelo teatro, dança e cinema. “DIVA reivindica essa narrativa, celebrando a força, visão e atitude dessas artistas que não têm medo de serem elas mesmas”, afirma Bailey.
Figurinos que marcaram gerações
A mostra traz peças impressionantes, como o icônico catsuit vermelho de Kylie Minogue do videoclipe de “Padam Padam” (2023), que traduz em tecido a energia contagiante da cantora. Também estão em destaque o figurino papal usado por Rihanna no Met Gala de 2018, o vestido de Lady Gaga no Golden Globes de 2019, e a jaqueta incrustada de cristais da inesquecível Olivia Newton-John, que remete diretamente à sua personagem Sandy em “Grease”.
Além disso, a exposição inclui peças emblemáticas de divas como Cher, Tina Turner, Freddie Mercury e o príncipe da extravagância, Prince, cuja ousadia e fluidez de gênero reverberam profundamente dentro da comunidade LGBTQIA+.
Representatividade australiana e LGBTQIA+
O acervo australiano da exposição é um destaque à parte, exibindo desde a pioneira soprano Dame Nellie Melba até a provocativa rocker Chrissy Amphlett, passando por Jessica Mauboy, que representou o país no Eurovision 2018, e o excêntrico Peter Allen. A presença de ícones que desafiaram normas de gênero e estilo reforça o papel vital das divas na construção de uma cultura mais diversa e inclusiva.
Para a comunidade LGBTQIA+, a exposição DIVA é um convite para celebrar as múltiplas facetas do que significa ser uma diva: não apenas uma estrela do palco, mas uma voz de resistência, empoderamento e autenticidade. É uma ode àquelas que usam a moda, a performance e a atitude para afirmar sua identidade e conquistar seu espaço.
Ver essas peças de perto, sentir a energia e o contexto por trás de cada figurino, é experimentar a história pulsante da cultura queer e da arte performática, onde o exagero, a teatralidade e a ousadia são formas poderosas de expressão e pertencimento.
A exposição DIVA fica em cartaz até 26 de abril no Hamer Hall, em Melbourne, Austrália, e promete ser um marco para quem valoriza a interseção entre moda, música e ativismo LGBTQIA+.
Mais do que roupas, os figurinos revelam histórias de coragem e transformação que ecoam na luta diária por visibilidade e respeito. Eles nos lembram que ser uma diva é, acima de tudo, ser fiel a si mesma — uma mensagem que ressoa com ainda mais força dentro da comunidade LGBTQIA+, onde a autenticidade é um ato de resistência e celebração.
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