Manifestação cultural em Belém escolhe Curupira de salto como símbolo da força e resistência LGBTQIA+ no Círio de Nazaré
Na noite do último dia 19 de setembro, o Memorial dos Povos, em Belém, foi palco do lançamento da 49ª edição da Festa da Chiquita, evento emblemático da comunidade LGBTQIA+ da região. A celebração, que ocorre tradicionalmente após a Trasladação do Círio de Nazaré, reafirmou sua força cultural e política ao escolher o Curupira como ícone desta edição, trazendo uma releitura contemporânea e potente do folclore paraense.
O Curupira, figura mítica conhecida nacionalmente como guardião das florestas e protetor dos animais, foi representado com salto alto e movimentos que incorporam a vivência e expressão LGBTQIA+. Essa escolha simbólica reflete a busca da Festa da Chiquita por uma identidade plural, que respeita a diversidade cultural e reforça a luta por direitos e reconhecimento.
Resistência e representatividade em meio à tradição
A Festa da Chiquita tem uma trajetória que atravessa cinco décadas, iniciada na década de 1970 durante o regime militar, quando as comunidades LGBTQIA+ enfrentavam ainda mais repressão. O co-fundador do evento, Eloi Iglesias, destacou o caminho percorrido desde então: “Hoje o movimento LGBTQIA+ está mais fortalecido, há maior acolhimento familiar e social, mas ainda há muita luta pela frente”.
Realizada na Praça da República, logo após a Trasladação, a festa mantém seu caráter de resistência e celebração da diversidade, oferecendo espaço para artistas e integrantes da comunidade expressarem sua potência e criatividade.
Curupira: um símbolo além do folclore
Além de ser símbolo tradicional da cultura paraense, o Curupira foi recentemente escolhido como mascote oficial da Conferência do Clima COP 30, realizada em Belém, Pará, em 2025. Essa associação reforça a conexão entre a preservação ambiental e a luta pela diversidade e inclusão social, temas caros à comunidade LGBTQIA+ e aos movimentos culturais locais.
Johann Bóreas, produtor do evento, explicou que o ícone criado para a Festa da Chiquita incorpora elementos que dialogam diretamente com a vivência LGBT, como o uso do salto alto e gestos marcantes que representam a liberdade de expressão e a quebra de padrões.
Memória e futuro da cultura LGBTQIA+ em Belém
O processo criativo da festa acontece na Casa da Chiquita, um espaço dedicado à preservação da memória e à valorização da cultura da comunidade LGBTQIA+ em Belém. Ali, figurinos e acessórios das edições anteriores são guardados com carinho, reforçando o legado e a continuidade do movimento.
Reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial do Pará e do Brasil, a Festa da Chiquita não é só uma celebração, mas um espaço de fortalecimento social e artístico que mantém viva a história de resistência e a luta por direitos da comunidade LGBTQIA+ na região.
Em 2025, o Curupira de salto não é apenas um símbolo folclórico, mas um manifesto de potência, diversidade e luta que ecoa pelo coração da Amazônia e inspira a comunidade LGBTQIA+ de todo o Brasil.
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