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Festival LGBTQIA+ da Costa Central corre risco por conflito com NRL Grand Final

Coastal Twist Fair Day enfrenta rejeição do pedido de evento por causa de impacto no trânsito no feriado prolongado
Festival LGBTQIA+ da Costa Central corre risco por conflito com NRL Grand Final

Coastal Twist Fair Day enfrenta rejeição do pedido de evento por causa de impacto no trânsito no feriado prolongado

O festival Coastal Twist Fair Day, um dos maiores eventos de diversidade e inclusão da Costa Central de Nova Gales do Sul, está ameaçado de cancelamento neste ano. O motivo? A coincidência da data com o NRL Grand Final, uma das maiores competições esportivas australianas, realizada em Sydney, a quase 80 quilômetros de distância.

Desde 2019, o Coastal Twist Fair Day reúne a comunidade LGBTQIA+ e seus aliados em Umina Beach para celebrar arte, cultura, música ao vivo, cabaré e momentos de drag story time em um ambiente familiar, seguro e acolhedor. Tradicionalmente, o festival acontece todo ano durante o feriado prolongado de outubro, atraindo pessoas de todas as idades e perfis para um espaço de expressão e visibilidade queer na região.

Rejeição do evento pela prefeitura e seus impactos

Este ano, porém, o Conselho da Costa Central recusou o pedido formal (DA) para a realização do festival, alegando que o local já estaria sobrecarregado devido à presença de turistas e ao grande público previsto para o NRL Grand Final em Sydney. A justificativa oficial cita “impactos inaceitáveis no trânsito e no estacionamento” em Umina, o que colocaria em risco a segurança e a comodidade dos moradores e visitantes.

Juan Iocco, produtor do evento, revela que a decisão surpreendeu a equipe, que inicialmente não entendia qual era o evento esportivo citado pela prefeitura. “Perguntamos várias vezes e só depois de quase dois meses nos informaram que era o NRL Grand Final em Sydney, que sempre aconteceu na mesma data do nosso festival. Não faz sentido essa rejeição agora”, desabafa.

Luta por visibilidade e inclusão na comunidade

Glitta Supernova, diretora criativa do Coastal Twist, reforça que o festival surgiu da necessidade de criar um espaço público e visível para a diversidade na Costa Central. “Nos ofereceram alternativas em espaços pequenos, quase em quintais, que não garantem a visibilidade e a inclusão que buscamos. É fundamental que a comunidade veja e participe de um evento aberto, onde possamos celebrar a identidade LGBTQIA+ sem nos esconder”, explica.

Para ela, a rejeição do pedido é um retrocesso, especialmente quando o governo estadual demonstra esforços para facilitar a realização de eventos culturais e inclusivos. “Queremos continuar construindo uma sociedade inclusiva, onde a diversidade seja a norma e não a exceção”, completa.

O que a comunidade está sentindo

Kristy Cartan, frequentadora assídua do festival, destaca o impacto emocional que o cancelamento traria para a região. “Não é só a comunidade queer que será afetada, mas toda a população da Costa Central. É lindo ver pessoas de todas as idades, do meu vizinho de 85 anos até meu filho de 8, dançando e se expressando juntas. É um espaço onde nos sentimos radicalmente seguros e aceitos”, afirma.

Ela ressalta que o Coastal Twist oferece esperança, vida e uma chance de ser visto e ouvido na sua autenticidade, algo vital para a saúde mental e para a construção de laços na comunidade.

Próximos passos para o festival

Apesar do revés, os organizadores não desistiram. Estão investindo cerca de 30 mil dólares para contratar um relatório técnico que avalie os impactos no trânsito e na circulação de pedestres, na esperança de reverter a decisão do conselho. Contudo, com menos de dois meses para o evento, a pressão para manter os artistas e atrações confirmadas aumenta a ansiedade dos responsáveis.

O Conselho da Costa Central informou que as exigências adicionais para este ano, como a avaliação de risco de incêndio florestal, decorrem de novas diretrizes estaduais. Ainda assim, o órgão se declara favorável ao evento e já concedeu financiamento para sua realização.

O Coastal Twist Fair Day é muito mais que uma celebração artística: é um ato político de afirmação, um espaço de acolhimento e uma festa de orgulho que reforça a importância da visibilidade LGBTQIA+ em todos os cantos, inclusive na Costa Central. A luta para que o festival aconteça mostra a força e a resiliência dessa comunidade que não abre mão de celebrar sua existência.

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