in

Filme body horror é censurado na China por apagar casal LGBTQIA+

Distribuidora chinesa usa inteligência artificial para alterar casamento gay em filme australiano
Filme body horror é censurado na China por apagar casal LGBTQIA+

Distribuidora chinesa usa inteligência artificial para alterar casamento gay em filme australiano

O filme australiano Together, dirigido por Michael Shanks, enfrentou uma polêmica envolvendo censura na China após o uso não autorizado de inteligência artificial para alterar cenas que retratam um casal LGBTQIA+. A distribuidora chinesa responsável pela exibição do longa modificou digitalmente o rosto de um dos protagonistas, substituindo-o por uma mulher, para disfarçar o casamento homoafetivo entre dois homens, sem o consentimento do diretor.

Além da alteração na cena do casamento, o corpo nu do ator Dave Franco também foi parcialmente coberto por uma animação digital semelhante a vapor, evidenciando uma série de modificações não autorizadas feitas para adequar o filme às rígidas normas de censura do país.

Reação do diretor e decisão de retirar o filme

Michael Shanks, que vendeu os direitos do filme para a distribuidora global Neon, revelou em entrevista à imprensa que, diante das alterações que comprometem a representação queer e a coerência da trama, decidiu retirar o filme body horror do mercado chinês. Ele destacou que, embora entenda a censura relacionada à nudez, a edição que apaga a relação LGBTQIA+ foi a linha vermelha que não poderia aceitar.

“Mudar completamente o gênero de um personagem e apagar a representação de uma relação queer, tornando a história confusa, é simplesmente absurdo”, afirmou o cineasta.

Impacto da censura e uso da IA contra representatividade queer

O caso levantou preocupações sobre o uso crescente da inteligência artificial como ferramenta para censura em produções audiovisuais, especialmente em mercados onde temas LGBTQIA+ ainda enfrentam rejeição institucional. Segundo especialistas, a facilidade e o baixo custo para alterar digitalmente cenas podem levar a uma invisibilização ainda maior de personagens e narrativas queer em produções internacionais.

Na China, onde a comunidade LGBTQIA+ enfrenta censura histórica, movimentos culturais buscam formas criativas e cifradas para se expressar nas redes sociais. No entanto, o medo é que a normalização do uso da IA para modificar conteúdos possa restringir ainda mais a visibilidade e o diálogo sobre diversidade sexual e de gênero.

Vozes da comunidade e perspectivas futuras

Estudantes internacionais chineses, como April*, que se identifica como bissexual, manifestaram desaprovação às alterações feitas por IA no filme, ressaltando que “amor é amor” independente do gênero dos envolvidos. Sua amiga Lily acredita que as gerações mais jovens na China estão mais abertas e receptivas às questões LGBTQIA+, mesmo que as políticas oficiais ainda sejam restritivas.

O episódio do filme body horror Together evidencia as tensões entre expressão artística, direitos LGBTQIA+ e censura estatal, apontando para um futuro onde a luta por representatividade e liberdade criativa precisará lidar com novos desafios tecnológicos e culturais.

*Nome fictício para preservar a identidade da fonte.

Que tal um namorado ou um encontro quente?

Crime chocante em marmoraria de Belo Horizonte expõe violência e intolerância no ambiente de trabalho

Colaborador mata idoso após piada homofóbica em BH

Evento no Estádio Palma Travassos aposta em inclusão, acessibilidade e doação de alimentos para fortalecer a comunidade local

Festival Repique une samba, sustentabilidade e solidariedade em Ribeirão Preto