Drama sci-fi com temática lésbica aposta em química, mas tropeça em clichês e roteiro previsível
Na estreia de Millicent Hailes como diretora, Perfect apresenta um romance lésbico ambientado em um mundo pós-apocalíptico onde a escassez de água contaminada domina o cenário. A trama acompanha Kai, interpretada por Ashley Moore, uma mulher solitária e fragilizada que vive em seu carro enquanto perambula por estradas desertas. Ao passar pela cidade de Breakwater, ela conhece Sunny, atendente de um posto de gasolina vivido pelo carismático Lío Mehiel, e Mallory, uma misteriosa mulher grávida, interpretada por Julia Fox.
Química intensa, mas roteiro previsível
A relação entre Kai e Mallory se desenvolve rapidamente, marcada por uma paixão ardente e uma série de encontros que parecem mais baseados na atração física do que em um vínculo emocional profundo. Apesar da química entre Moore e Fox ser palpável na tela, o roteiro assinado por Hailes e Kendra Miller não explora com profundidade as camadas do relacionamento, limitando-se a diálogos esparsos e cenas repetitivas de intimidade sexual, embaladas por trilha sonora evocativa.
O filme abandona o cenário distópico logo no início do romance, optando por um ritmo lento e focado em um melodrama comum que já vimos em muitas produções independentes de temática lésbica. A tensão dramática é previsível, com segredos de Mallory que não surpreendem e que pouco impactam o desenvolvimento da trama, deixando a narrativa sem grandes surpresas ou reflexões mais profundas.
Personagens que poderiam ir além
Enquanto Ashley Moore entrega uma performance que transmite o desejo de conexão e vulnerabilidade de Kai, Julia Fox encarna Mallory com um charme sedutor e uma aura enigmática que poderia render muito mais se o roteiro não fosse tão superficial. Lío Mehiel também se destaca, trazendo uma presença acolhedora e natural que cria um contraponto afetivo para Kai, mostrando que a protagonista busca mais do que apenas um romance efêmero.
No entanto, o relacionamento central permanece estagnado, com pouco avanço emocional ou crescimento para as personagens. A narrativa se apoia demais no estereótipo do “romance lésbico tóxico”, sem oferecer uma nova perspectiva ou aprofundamento que o público LGBTQIA+ merece.
Conclusão
Perfect tinha potencial para inovar ao misturar um cenário distópico com um romance lésbico, mas acaba se rendendo a clichês e uma abordagem narrativa rasa. Apesar do talento do elenco e da boa química entre as protagonistas, o filme não consegue escapar do lugar comum, deixando uma sensação de oportunidade perdida.
Para a comunidade LGBTQIA+, é importante que histórias como essa sejam contadas com autenticidade e complexidade, fugindo de representações estereotipadas que limitam a diversidade das experiências amorosas. Perfect serve como um lembrete de que ainda há muito espaço para evoluir em narrativas queer no cinema, e que merecemos histórias que reflitam toda a riqueza e pluralidade do nosso amor e identidade.
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