Diretor e elenco mergulham no universo dos bikers LGBTQIA+ para criar filme cheio de verdade e representatividade
Quando se trata de retratar uma gangue gay de motociclistas, nada melhor do que buscar a verdadeira fonte para garantir autenticidade. Foi exatamente isso que o diretor estreante Harry Lighton fez para seu filme Pillion, que traz Alexander Skarsgård no papel de um motociclista dominador e emocionalmente distante, envolvido em uma relação BDSM com Colin, personagem interpretado por Harry Melling, um guarda de trânsito doce e inexperiente nesse universo.
Imersão na cultura dos Gay Bikers
Para construir um retrato fiel desse universo, Lighton passou um fim de semana com a Gay Bikers Motorcycle Club (GBMCC), um grupo de motociclistas LGBTQIA+ com sede em Londres. Cerca de 100 membros se reuniram em Birmingham para receber o diretor, que não só teve a chance de pilotar uma moto, mas também ouviu histórias e conselhos sobre o que gostariam de ver – ou evitar – no filme.
“Eles foram extremamente generosos, compartilhando experiências e detalhes que ajudaram a moldar a narrativa”, conta Lighton. Essa convivência intensa levou o diretor a optar por escalar membros reais da gangue para o filme, ao invés de atores vestidos para o papel. Isso trouxe uma camada extra de veracidade que se reflete na tela.
Detalhes que fazem toda a diferença
Os próprios bikers contribuíram para a construção dos personagens, sugerindo elementos como o uso de dispositivos de castidade, que aparecem no filme, e até detalhes sobre os tipos de roupas de couro e motocicletas que seus personagens deveriam ter, reforçando a personalidade de cada um. “Eles queriam que esses detalhes fossem precisos para representar verdadeiramente a cultura biker queer”, afirma o diretor.
Até mesmo as cenas de sexo ganharam um toque especial graças ao conhecimento dos membros da GBMCC. Alexander Skarsgård lembra com bom humor das orientações sobre o tipo de lubrificante adequado para uma orgia na floresta – um detalhe que pode parecer pequeno, mas que faz toda a diferença para o realismo da produção.
Preparação intensa para os atores
Antes das filmagens, Harry Melling passou um dia inteiro com os bikers, participando de um passeio de moto de Londres a Cambridge e interagindo com membros do grupo e até de um gangue de kink. “Eles foram incríveis ao me ensinar, inclusive, a maneira correta de lamber uma bota, algo que aparece no filme”, revela o ator.
Ter os bikers presentes no set serviu como uma fonte viva para tirar dúvidas e garantir que as cenas fossem executadas com o máximo de autenticidade. “Se tínhamos dúvidas sobre como uma pessoa se posicionaria antes de uma orgia, eles estavam ali para responder na hora”, comenta Skarsgård.
Um retrato real e representativo
Pillion é mais do que um filme sobre motos e kink; é uma celebração da diversidade e da cultura queer, que ganhou vida graças ao envolvimento direto da comunidade retratada. A presença dos verdadeiros membros da GBMCC, tanto na produção quanto no elenco, reforça a importância de dar voz e espaço para as próprias narrativas LGBTQIA+ nas telas.
Essa parceria entre o cinema e a comunidade biker gay não só enriqueceu o filme com detalhes únicos, mas também fortaleceu a representação de corpos, desejos e identidades muitas vezes invisibilizadas.
Em tempos em que a representatividade importa mais do que nunca, Pillion surge como um marco de respeito e autenticidade, mostrando que contar histórias queer com verdade e cuidado é uma forma poderosa de celebrar a diversidade. Para a comunidade LGBTQIA+, ver suas vivências refletidas com tanto carinho e realismo na tela é um convite para se reconhecer, se empoderar e, claro, acelerar rumo a novas conquistas.
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