FIFA aplica multa recorde após manifestações homofóbicas na partida México x EUA em homenagem a Guardado
A Federação Mexicana de Futebol (FMF) recebeu uma multa histórica de 80 mil francos suíços, cerca de 1,8 milhão de reais, aplicada pela FIFA devido aos gritos homofóbicos registrados durante o amistoso entre México e Estados Unidos no Estádio Akron, Guadalajara, em 15 de outubro de 2024. A partida, que era um tributo ao ícone Andrés Guardado, acabou marcada por manifestações discriminatórias que mancharam a celebração.
Apesar das campanhas de conscientização contra o discurso de ódio e dos anúncios constantes nos estádios, o grito homofóbico persistiu, evidenciando a dificuldade de erradicar esse comportamento nocivo nas arquibancadas. O sistema de monitoramento antidiscriminatório da FIFA (ADMOS) identificou que os insultos ocorreram logo no início do jogo e novamente ao final, quando parte da torcida deixava o estádio, gerando a ativação dos protocolos disciplinares.
Multa recorde e responsabilidade da FMF
A multa de 80 mil francos suíços, valor quatro vezes maior que as sanções anteriores para casos semelhantes, mostra o posicionamento firme da FIFA na luta contra a homofobia no futebol. A entidade entende que as medidas anteriores foram insuficientes para impedir a repetição desses episódios. A FMF foi responsabilizada, mesmo que os atos tenham partido de um grupo minoritário, estimado em cerca de 50 pessoas.
O princípio da responsabilidade objetiva implica que a federação deve tomar todas as medidas possíveis para prevenir e coibir condutas discriminatórias, o que não ocorreu de maneira eficaz.
Desafio para o futebol mexicano e a comunidade LGBTQIA+
O grito homofóbico não só gera multas pesadas para a FMF, mas também reforça estigmas e perpetua a exclusão dentro do esporte mais popular do país. Para o público LGBTQIA+, esses episódios representam uma barreira para a inclusão e o respeito dentro dos estádios, ambientes que deveriam ser seguros e acolhedores para todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.
Apesar das campanhas e discursos públicos que tentam conscientizar torcedores, a persistência do problema mostra que é preciso aprofundar o trabalho educativo e ampliar a responsabilidade social dos clubes, federações e organizadores de eventos esportivos.
Próximos passos e apelo por mudanças
Embora a FMF possa recorrer da decisão junto ao Tribunal de Arbitragens Esportivas (TAS), o mais urgente é que o episódio seja encarado como um alerta para a necessidade urgente de transformação cultural no futebol mexicano. Mais do que evitar multas, a prioridade deve ser promover o respeito e a diversidade, criando um ambiente onde o grito homofóbico seja definitivamente banido das arquibancadas.
Enquanto o futebol não se tornar um espaço de inclusão verdadeira, as sanções da FIFA continuarão a ser aplicadas, e o impacto negativo para a imagem e para a comunidade LGBTQIA+ seguirá sendo sentido dentro e fora dos gramados.
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