Artista queer brasiliense protagoniza comédia ao lado de Miá Mello e fala sobre representatividade LGBTQIA+
Gahbi, artista queer e não-binário de Brasília, está conquistando cada vez mais espaço no cinema brasileiro. Após o sucesso em Câncer com ascendente em virgem, ele assume agora o papel de Cláudio, um assessor de celebridades, no longa de comédia Mãe fora da caixa, dirigido por Manuh Fontes e estrelado por Miá Mello, que já está em cartaz por todo o Brasil.
Um personagem que reflete relações complexas e o universo digital
Cláudio é o clássico exemplo da síndrome do Pequeno Poder: alguém que, mesmo sofrendo opressões, reproduz comportamentos abusivos quando ocupa uma posição de autoridade, mesmo que pequena. No filme, ele é o braço direito da influenciadora Gleicy Anne, interpretada por Jeniffer Setti, e vive uma relação tóxica com sua diva, lidando com as demandas e faniquitos de uma celebridade ligada ao universo das redes sociais e marketing digital.
O personagem traz à tona uma dinâmica muito presente no mundo das celebridades digitais e seus assessores, especialmente no contexto LGBTQIA+, onde essas relações de poder e visibilidade podem ser tanto fonte de empoderamento quanto de opressão.
Gahbi: humor, representatividade e resistência
Ator, drag queen e humorista, Gahbi é uma voz importante para a representatividade não-binária no Brasil. Ele foi a primeira pessoa não-binária a conseguir a retificação de gênero em uma ação judicial individual no Distrito Federal, e tem usado sua arte para abrir caminhos no audiovisual e no teatro.
Para viver Cláudio, Gahbi pesquisou profundamente o universo das celebridades digitais e seus assessores, observando comportamentos reais e entendendo a complexidade dessas relações. Ele destaca que o humor é uma ferramenta revolucionária e transformadora, capaz de desconstruir estereótipos e abrir espaço para conversas necessárias, especialmente para pessoas LGBTQIA+.
Carreira multifacetada e sonhos para o futuro
Gahbi também é conhecido pelo personagem Polvilho na novela Elas por elas, que marcou sua primeira experiência em novelas e lhe trouxe grande visibilidade. Apesar dos avanços, ele reconhece que o mercado audiovisual ainda tem muitas limitações para a diversidade, principalmente para pessoas não-binárias e trans, e reforça a importância da autogestão na carreira para criar oportunidades reais.
Entre seus sonhos, estão interpretar personagens complexos, como vilões em obras de renomados dramaturgos brasileiros, papéis desafiadores no teatro, inclusive clássicos de Shakespeare, e personagens lúdicos e mágicos que permitam explorar outras linguagens artísticas.
Projetos atuais e próximos passos
Além do filme Mãe fora da caixa, Gahbi está envolvido em séries como Réu e a terceira temporada de Matches. Ele também investe no stand up comedy, com o projeto Banheirão da Casa, e prepara um solo de comédia para 2026, reafirmando seu compromisso com a representatividade e a produção independente.
Gahbi é mais que um ator: é uma inspiração para a comunidade LGBTQIA+, mostrando que diversidade e talento caminham lado a lado. Sua trajetória reforça a urgência de espaços artísticos mais inclusivos, onde as narrativas queer sejam contadas com verdade, humor e humanidade. Ao ocupar esses espaços, ele não apenas entretém, mas também desafia preconceitos e abre portas para que outras vozes queer se expressem livremente.
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