Como o vício em jogos impacta a vida de pessoas LGBTQIA+ e a importância de um suporte acolhedor e inclusivo
Ben Howard tinha apenas 17 anos quando entrou em um cassino pela primeira vez, após sair de um bar gay onde sentiu, pela primeira vez, um verdadeiro senso de pertencimento. Ao apostar £20 em uma máquina caça-níqueis, ele ganhou um prêmio de £1.000. Essa vitória inicial, porém, desencadeou uma trajetória marcada pelo vício em jogos, ruína financeira, perda de moradia e até prisão.
O impacto do vício e a exclusão social
Uma pesquisa recente da Bournemouth University, com 31 pessoas LGBTQIA+ de 20 a 59 anos, revelou que o gambling pode funcionar como um mecanismo de enfrentamento diante do estigma, da discriminação e da marginalização que muitos vivenciam em suas vidas. O estudo destacou que o suporte disponível raramente é sensível às necessidades específicas relacionadas à sexualidade e identidade de gênero, o que dificulta a busca por ajuda.
Ben conta que, para ele, o jogo representava um espaço onde sentia algum controle e alívio, algo difícil de expressar abertamente em sua vivência como homem gay. O isolamento, a vergonha e o medo de julgamentos, especialmente quando buscava ajuda, foram barreiras que aumentaram seu sofrimento.
O ciclo do vício e suas consequências
O fascínio inicial pelos ganhos fáceis logo se transformou em uma dependência que consumia seus recursos financeiros rapidamente. A chegada do jogo online intensificou a situação, tornando o acesso quase constante e facilitando apostas impulsivas logo após receber seu salário.
Com o vício, Ben afastou-se de amigos e familiares, e para sustentar seu hábito, acabou cometendo furtos no local onde trabalhava, chegando a roubar mais de £250.000. A sensação de perda de controle culminou em um momento decisivo: após ganhar £147.000 online, ele perdeu tudo em dois dias, levando-o a escolher entre o suicídio e se entregar à polícia. Optou pela segunda opção, enfrentando as consequências legais, a falência e o fim de seu relacionamento.
Da prisão à recuperação e acolhimento
Ben cumpriu 10 meses de prisão e, desde sua saída, dedica-se a ajudar outras pessoas LGBTQIA+ afetadas pelo vício em jogos, trabalhando em uma organização que oferece suporte especializado para essa comunidade. Ele enfatiza a importância de um atendimento empático e que reconheça as experiências vividas, o que facilita a superação do vício.
“Quando alguém sabe que você já esteve lá, as barreiras caem imediatamente”, afirma Ben, destacando que o gambling não escolhe classe social, gênero ou raça, mas pode afetar qualquer pessoa.
Reflexões sobre o vício na comunidade LGBTQIA+
O relato de Ben Howard e a pesquisa recente evidenciam que o vício em gambling dentro da comunidade LGBTQIA+ é um problema complexo, entrelaçado com questões de identidade, exclusão e saúde mental. O vício pode ser uma resposta a dores internas e ao preconceito social, tornando a busca por ajuda ainda mais desafiadora quando os serviços não são inclusivos ou compreensivos.
Para a comunidade LGBTQIA+, criar espaços seguros e acolhedores para falar sobre vícios e saúde emocional é um passo fundamental para romper o ciclo de silêncio e sofrimento. A história de Ben é um lembrete poderoso de que a empatia, o apoio especializado e a representatividade são essenciais para que cada pessoa possa encontrar seu caminho para a recuperação e o bem-estar.