Patriarca Shio III e autoridades reforçam oposição a direitos LGBTQIA+ em evento marcado por tensão histórica
No dia 17 de maio, enquanto o mundo celebra o Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia (IDAHOBIT), a Geórgia realiza o “Dia da Pureza Familiar e Respeito aos Pais”. Instituído pela Igreja Ortodoxa Georgiana em 2014, esse evento ocorre exatamente um ano após os ataques violentos contra uma pequena manifestação LGBTQIA+ em Tbilisi, capital do país.
Uma celebração marcada por discursos conservadores e anti-LGBTQIA+
Este ano, o recém-empossado Patriarca Shio III liderou as cerimônias na Catedral da Santíssima Trindade, em Tbilisi, convocando os fiéis a participarem das procissões. A presença de autoridades do partido governista Sonho Georgiano, que em 2024 oficializou o Dia da Pureza Familiar como feriado nacional aliado a uma legislação anti-LGBTQIA+, reforça a conotação política e conservadora do evento.
Em seu discurso, Shio III defendeu leis que protejam as famílias “das ideologias de gênero nocivas” e alertou para o que chamou de risco de “outros povos” se multiplicarem e ultrapassarem numericamente os georgianos, em um discurso permeado por um nacionalismo religioso e preocupações demográficas. Ele também manifestou forte oposição ao aborto, afirmando que famílias que o praticam não podem construir felicidade.
Resistência e esperança da comunidade LGBTQIA+ georgiana
O Dia da Pureza Familiar foi criado exatamente para ofuscar o IDAHOBIT e reforçar valores tradicionais que têm servido para legitimar a exclusão da comunidade LGBTQIA+ no país. Desde então, eventos públicos em apoio aos direitos LGBTQIA+ têm sido praticamente inexistentes na Geórgia, devido a repetidas violências e à repressão legal.
Apesar do cenário adverso, grupos LGBTQIA+ como o Tbilisi Pride afirmam resistir ao desânimo. Em comunicado, destacam que a violência e a opressão são ferramentas políticas, mas que a sobrevivência e a união da comunidade são formas de resistência que transcendem a mera luta por direitos, envolvendo também amor, alegria e desejo por liberdade.
O impacto social e cultural do Dia da Pureza Familiar
O Dia da Pureza Familiar, ao ser imposto como feriado nacional, simboliza uma tentativa explícita de recusa da diversidade e de imposição de um modelo de família heteronormativo e conservador. O uso da religião como instrumento político para restringir direitos LGBTQIA+ reforça um clima de medo e exclusão, que afeta diretamente a saúde mental e o bem-estar da comunidade queer na Geórgia.
Essa celebração, embora oficial e massiva, reflete a profunda divisão social em torno dos direitos humanos e da liberdade individual no país, colocando em evidência a luta por reconhecimento e respeito que a comunidade LGBTQIA+ enfrenta diariamente.
Enquanto o Dia da Pureza Familiar tenta apagar vozes dissidentes e impor um único modelo de família, a comunidade LGBTQIA+ da Geórgia resiste com coragem e esperança. É fundamental reconhecer que a verdadeira pureza reside no respeito à diversidade e no direito de cada pessoa viver sua identidade plena, sem medo ou discriminação.
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