Paralisação no Rio mira nova modalidade com pagamento de R$ 3 por entrega e pressiona o debate sobre trabalho por app. Entenda.
A greve iFood entrou entre os assuntos em alta no Brasil após entregadores de aplicativo iniciarem, na quinta-feira (30), uma paralisação no Rio de Janeiro e em cidades como Niterói e São Gonçalo. O protesto mira a modalidade +Entregas, criticada por trabalhadores por reduzir o valor pago por corrida para R$ 3 em alguns casos.
Segundo a mobilização divulgada pela Associação Movimento dos Entregadores por Aplicativo do Rio de Janeiro (Amaerj), houve concentração em pontos como Centro, Barra da Tijuca e Botafogo, além de ações de diálogo com lojistas. Nas redes, a entidade afirmou ter recebido apoio de comerciantes da região da Cinelândia para suspender vendas pelo app durante o período do protesto, o que ajudou a impulsionar o tema no Google Trends justamente na véspera e no feriado de 1º de Maio, data historicamente ligada às pautas trabalhistas.
O que motivou a paralisação dos entregadores?
O principal foco do ato é a reivindicação de um valor mínimo de R$ 10 por entrega. De acordo com a Amaerj, esse patamar seria o mínimo necessário para cobrir custos de trabalho e assegurar condições mais dignas para quem depende da bicicleta ou da moto para garantir renda.
Os trabalhadores também pedem o fim da modalidade chamada +Entregas, conhecida entre entregadores como sistema de subpraças. Nesse modelo, geralmente operado com participação de Operadoras Logísticas terceirizadas pelo iFood, o pagamento por entrega pode cair para R$ 3, abaixo do mínimo de R$ 7 praticado no formato tradicional citado pelos manifestantes. Segundo a reportagem original, esse modelo começou a ser implementado no Rio de Janeiro há cerca de seis meses.
Na versão apresentada pela empresa em sua página oficial, o +Entregas foi pensado para oferecer “estabilidade e previsibilidade”. A lógica é diferente do pagamento exclusivamente por pedido: o entregador informa o período em que estará disponível, o aplicativo delimita uma área de atuação e a remuneração passa a considerar um valor fixo por disponibilidade somado a um valor por entrega. O ponto de conflito está justamente na transparência e no resultado final desse cálculo, que virou alvo de contestação da categoria.
O que dizem os entregadores e qual é a resposta do iFood?
Representantes da mobilização afirmam que, na prática, o modelo cria metas obrigatórias e risco de punições. Segundo o vice-presidente da Amaerj ouvido pelo Brasil de Fato, haveria ameaça de bloqueio e retirada de escala quando o trabalhador não atinge as metas estabelecidas nas subpraças. A crítica central é que a promessa de previsibilidade não se traduz, necessariamente, em renda justa ou autonomia real.
Outro ponto levantado pelos organizadores é a tentativa de enfraquecer os chamados “breques”. De acordo com os relatos reunidos na mobilização, em dias de paralisação é comum a oferta de bônus para entregadores que continuem trabalhando, o que pode esvaziar o movimento. Nos últimos dias, vídeos e depoimentos de apoio à greve circularam em diferentes estados, ampliando a repercussão nacional do caso.
Em nota, o iFood disse que respeita o direito à manifestação pacífica e à livre expressão de entregadores e entregadoras. A empresa afirmou manter, desde 2021, uma agenda de diálogo com a categoria e sustentou que o +Entregas é apenas uma alternativa opcional. Segundo o posicionamento oficial, o ganho no novo formato combina um valor fixo por hora disponível com o valor por entrega realizada. O iFood também declarou que, no Rio, entregadores que aderiram ao modelo registraram ganho médio por hora logada superior ao do sistema tradicional, e acrescentou que a adesão não impactaria negativamente a “saúde da conta” de quem prefere alternar entre formatos.
Por que esse debate importa para além do delivery?
A alta da busca por greve iFood não se explica só pela paralisação em si. Ela acontece em um momento em que o trabalho por aplicativo está no centro de discussões públicas sobre remuneração, transparência e direitos. Nos últimos meses, cresceram a pressão de entregadores, a fiscalização sobre valores pagos por plataformas e a cobrança por regras mais claras para um setor que movimenta milhões de pedidos no país.
Para a comunidade LGBTQ+, esse debate também tem peso concreto. Pessoas LGBT, especialmente jovens, pessoas trans e trabalhadores expulsos de ambientes formais por discriminação, muitas vezes encontram nos apps uma porta de entrada imediata para renda. Isso não significa que devam aceitar relações precárias como regra. Quando entregadores denunciam pagamento insuficiente, metas opacas e punições sem justificativa, a discussão toca diretamente grupos que já convivem com maior vulnerabilidade no mercado de trabalho brasileiro.
Na avaliação da redação do A Capa, a greve recoloca uma pergunta incômoda, mas necessária: até que ponto a promessa de flexibilidade no trabalho por app pode conviver com remuneração baixa e regras pouco transparentes? Em um país onde a informalidade ainda atinge milhões de pessoas, dignidade no trabalho não deveria ser tratada como benefício extra, e sim como piso civilizatório.
Perguntas Frequentes
O que é a greve iFood que entrou em alta?
É a paralisação organizada por entregadores, especialmente no Rio de Janeiro, contra a modalidade +Entregas e por melhores valores mínimos por corrida.
Quanto os entregadores dizem receber no novo modelo?
Segundo os manifestantes, a modalidade contestada pode pagar R$ 3 por entrega. O iFood afirma que a remuneração total inclui também um valor fixo por hora disponível.
O iFood disse que a adesão ao +Entregas é obrigatória?
Não. Em nota, a empresa afirmou que o modelo é opcional e que o entregador pode permanecer no sistema tradicional ou alternar entre formatos.
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