Em meio à semifinal da Copa Ouro, torcida mexicana repetiu grito homofóbico sem que protocolo fosse acionado
Mais uma vez, o grito homofóbico ecoou nas arquibancadas durante uma partida da Seleção Mexicana de Futebol. Dessa vez, na semifinal da Copa Ouro contra Honduras, o episódio ocorreu no Levi’s Stadium, em Santa Clara, Estados Unidos, e chocou pela ausência de qualquer ação imediata do árbitro para coibir o comportamento discriminatório.
Mesmo com o México já liderando o placar, torcedores aztecas entoaram o infame “Ehh, pu…” pelo menos duas vezes direcionado ao goleiro hondurenho Edrick Menjívar, por volta dos minutos 65 e 80 da partida. O árbitro costarriquenho Juan Gabriel Calderón, todavia, não acionou o protocolo previsto para tais situações, que inclui alertas via telão e, em caso de reincidência, suspensão temporária do jogo.
Reincidência e impunidade em campo
Este não é um problema novo para a Federação Mexicana de Futebol (FMF). Em 20 de junho, a entidade foi multada pela FIFA em quase dois milhões de pesos mexicanos justamente pela repetição do grito homofóbico em partidas recentes. Apesar da penalização financeira, a atitude persiste, evidenciando uma falha grave na aplicação das medidas de combate à discriminação.
Para a comunidade LGBTQIA+, episódios como esse reforçam a urgente necessidade de conscientização e ações efetivas dentro e fora dos estádios. O silêncio das autoridades em campo diante do grito homofóbico não apenas legitima o preconceito, mas também perpetua um ambiente hostil para torcedores e atletas que buscam no esporte um espaço de inclusão e respeito.
O que está em jogo além do futebol
O futebol tem um poder cultural imenso, especialmente em países como o México, onde a paixão pelo esporte une multidões. No entanto, quando o grito homofóbico invade os estádios, ele viola os direitos humanos básicos e fere a dignidade de muitas pessoas. O não acionamento do protocolo anti-discriminação no jogo contra Honduras é um alerta para a necessidade de mudança estrutural e compromisso real das instituições esportivas.
É fundamental que a FMF, a FIFA e todos os envolvidos no futebol adotem uma postura firme contra qualquer forma de discriminação, garantindo que o esporte seja um espaço seguro para todxs, inclusive para a comunidade LGBTQIA+. A luta contra o grito homofóbico deve ser contínua, com educação, punições efetivas e uma cultura de respeito que transcenda os gramados.
Para a torcida e atletas LGBTQIA+, a esperança é que em breve possamos celebrar jogos marcados apenas pela paixão e talento, sem espaço para o preconceito. Afinal, o futebol é de todxs e deve acolher a diversidade com orgulho e respeito.