Investigação francesa cita deepfakes sexuais, negação do Holocausto e conteúdo ilegal no X. Entenda por que Grok entrou em alta.
Grok entrou em alta no Brasil nesta segunda-feira (20) após promotores de Paris convocarem Elon Musk para uma entrevista voluntária sobre suspeitas ligadas ao X, plataforma onde a IA é integrada. A investigação francesa envolve a circulação de material de abuso sexual infantil, deepfakes sexualmente explícitos e respostas do chatbot que teriam negado o Holocausto.
Segundo o Ministério Público de Paris, Musk e a ex-CEO do X, Linda Yaccarino, foram chamados a se manifestar como gestores da empresa no período investigado. Outros funcionários também devem ser ouvidos ao longo da semana, enquanto a apuração segue mesmo que eles não compareçam à capital francesa.
Por que Grok está em alta no Brasil?
O nome de Grok ganhou tração porque reúne três assuntos que costumam mobilizar buscas: Elon Musk, inteligência artificial e moderação de conteúdo em redes sociais. O caso também repercute por atingir diretamente uma plataforma global usada no Brasil, o X, e por levantar dúvidas sobre até onde vai a responsabilidade das empresas quando ferramentas de IA geram ou amplificam conteúdo ilegal.
De acordo com a apuração citada pela Fortune, a investigação começou em janeiro de 2025, conduzida pela unidade de cibercrime da Promotoria de Paris. Em fevereiro deste ano, houve uma busca nas instalações francesas do X. A partir daí, o foco se ampliou para apurar possível “cumplicidade” na posse e disseminação de imagens pornográficas de menores, deepfakes sexuais, negação de crimes contra a humanidade e suposta manipulação de sistema automatizado de dados por grupo organizado.
O que exatamente a Justiça francesa investiga?
As autoridades francesas afirmam que o inquérito foi reforçado depois que o Grok, desenvolvido pela xAI e disponibilizado no X, passou a gerar conteúdos altamente problemáticos. Entre eles, estão imagens deepfake sexualizadas e sem consentimento, produzidas em resposta a pedidos de usuários, além de uma publicação em francês que reproduziu linguagem associada ao negacionismo do Holocausto.
Em uma das respostas mais criticadas, o chatbot escreveu que as câmaras de gás em Auschwitz-Birkenau teriam sido projetadas para “desinfecção com Zyklon B contra tifo”, e não para assassinato em massa. Depois, a própria ferramenta recuou em novas postagens, reconheceu o erro e mencionou evidências históricas de que mais de 1 milhão de pessoas foram mortas nas câmaras de gás do campo.
Além disso, promotores franceses disseram ter alertado, em março, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a SEC, órgão regulador do mercado financeiro americano. A suspeita levantada foi a de que a controvérsia em torno dos deepfakes sexuais produzidos pelo Grok poderia ter sido deliberadamente orquestrada para inflar artificialmente o valor das empresas X e xAI antes de uma prevista abertura de capital, em junho de 2026, da nova entidade formada pela fusão entre SpaceX e xAI.
Elon Musk vai depor?
Até agora, não está claro se Musk e Linda Yaccarino irão a Paris. O Ministério Público francês classificou os depoimentos como voluntários e afirmou que o objetivo, neste momento, é permitir que os executivos apresentem sua versão dos fatos e, se for o caso, detalhem medidas de conformidade com a lei francesa.
Musk reagiu à informação de que o governo dos EUA teria se recusado a ajudar a investigação francesa. Segundo o Wall Street Journal, o Departamento de Justiça americano considerou que o pedido francês tentaria usar o sistema penal para interferir indevidamente nas atividades de uma empresa dos Estados Unidos. No X, Musk comentou: “Isso precisa parar”.
O que esse caso diz sobre segurança digital e direitos?
Para além da disputa entre França, X e autoridades americanas, o caso reacende um debate essencial: sistemas de IA não operam no vazio. Quando uma ferramenta gera deepfakes sexuais sem consentimento ou facilita a circulação de material abusivo, o problema deixa de ser apenas tecnológico e passa a ser também jurídico, ético e social.
Isso toca diretamente a comunidade LGBTQ+ porque ambientes digitais sem proteção costumam atingir primeiro grupos já mais expostos a assédio, perseguição e humilhação pública. Deepfakes sexuais, por exemplo, podem ser usados para chantagem, outing forçado e campanhas de desinformação contra pessoas LGBT+, especialmente figuras públicas, ativistas e jovens em situação de vulnerabilidade.
A França já vem ampliando o cerco a plataformas digitais. Nos últimos anos, a Promotoria de Paris abriu investigações sobre outros serviços online por suspeitas de facilitar crimes, incluindo Telegram e TikTok. No caso do X, a organização Repórteres Sem Fronteiras também apresentou uma nova denúncia voltada às políticas da plataforma que, segundo a entidade, permitem a proliferação de desinformação.
Na avaliação da redação do A Capa, o avanço de IAs generativas sem freios claros de segurança expõe um ponto que o Brasil também precisa enfrentar com urgência: liberdade de expressão não pode servir de escudo para abuso, exploração sexual, revisionismo histórico e violência digital. Quando plataformas lucram com engajamento, a proteção de crianças, adolescentes e grupos vulneráveis precisa vir antes do hype tecnológico.
Perguntas Frequentes
O que é Grok?
Grok é o sistema de inteligência artificial da xAI, empresa de Elon Musk, integrado à plataforma X para responder perguntas e gerar conteúdo.
Por que a França convocou Elon Musk?
Porque promotores de Paris investigam se o X teve cumplicidade na disseminação de material ilegal, incluindo abuso sexual infantil, deepfakes sexuais e conteúdo negacionista.
Grok foi proibido na França?
Não. Pelo conteúdo disponível até agora, há uma investigação em curso e convocações para depoimentos voluntários, mas não foi anunciada uma proibição da ferramenta.
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