Coletivos pedem punição severa após técnico do Internacional associar rosa à homossexualidade
O futebol brasileiro vive mais um capítulo doloroso em sua longa luta contra a homofobia. O técnico Abel Braga, atualmente no Internacional, foi denunciado por coletivos LGBTQIA+ ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) após proferir comentários ofensivos associando a cor rosa à homossexualidade e chamando o elenco de “time de veado”.
O episódio aconteceu durante a apresentação de Abel Braga no clube gaúcho e rapidamente ganhou repercussão. O coletivo Canarinhos LGBT foi o primeiro a formalizar a ação no STJD, seguido pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+. Ambos buscam que o futebol, um espaço tradicionalmente marcado por discursos preconceituosos, comece a aplicar punições efetivas contra atitudes discriminatórias.
Pedido de desculpas não apaga o dano
Após a repercussão negativa, Abel Braga fez um pedido de desculpas, mas para Onã Rudá, fundador do Canarinhos LGBT, a retratação foi apenas uma estratégia para minimizar a crise, e não uma verdadeira tentativa de reparação.
“Se não tivesse repercussão, ele não ia pedir desculpa nenhuma. É como se a violência com a nossa comunidade fosse algo que devesse passar batido, ser aliviado. Não pode. Espero mesmo que haja punições, e punições severas. Desculpas não resolvem”, afirmou Rudá.
Homofobia estrutural no futebol
O historiador e antropólogo Maurício Rodrigues, especialista em futebol brasileiro, explica que comentários como os de Abel reforçam um ambiente onde a homofobia é naturalizada e até incentivada.
“O problema não é a cor em si, mas a conduta. A justificativa usada no pedido de desculpas — de que ‘gênero não é cor, é caráter’ — acaba sendo tão problemática quanto a ofensa original, pois sugere que a existência LGBTQIA+ está ligada a um comportamento inadequado”, destacou Rodrigues.
Clube silencia e cultura do medo persiste
Até o momento, o Internacional não se posicionou oficialmente sobre o ocorrido, o que preocupa os movimentos sociais. A ausência de uma resposta clara contribui para a manutenção do medo entre atletas LGBTQIA+, que muitas vezes optam por não se assumir por receio de represálias e prejuízos na carreira.
“Você tem mais de 2 mil atletas e nenhum se assume abertamente LGBTQIA+ porque tem medo de ter a carreira destruída”, lamenta Onã Rudá.
Os coletivos esperam que o STJD julgue o caso com rigor, aplicando sanções que sinalizem uma mudança real no futebol brasileiro. A demora ou punições brandas apenas perpetuam o ciclo de violência simbólica que afeta não só os atletas, mas toda a comunidade LGBTQIA+ no esporte.
Este episódio evidencia a urgência de uma transformação cultural no futebol, que precisa deixar de lado velhos preconceitos para se tornar um espaço mais inclusivo e acolhedor. O combate à homofobia não é apenas uma questão de justiça, mas também de respeito à diversidade e à dignidade humana.
Para a comunidade LGBTQIA+, cada denúncia e cada posicionamento firme contra a discriminação representam passos fundamentais na construção de um ambiente esportivo onde todos possam se expressar livremente e com segurança. A luta contra o preconceito dentro e fora de campo é um chamado para que o futebol abrace a diversidade como parte essencial de sua identidade.
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